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Homem paralisado volta a caminhar após tratamento revolucionário

Fidyka foi operado há dois anos. Agora ele consegue caminhar com um andador, ter uma vida normal e até mesmo dirigir um automóvel, quatro anos depois de ter sido esfaqueado pelo ex-marido de sua companheira

10:08 | 21/10/2014

Um homem que estava paralisado do peito para baixo conseguiu voltar a caminhar graças a um tratamento revolucionário realizado na Polônia, que segundo um dos cientistas britânicos envolvidos foi "mais impressionante do que um homem caminhando na lua".

Darek Fidyka, um bombeiro búlgaro de 40 anos, é a primeira pessoa no mundo a se recuperar de um rompimento total dos nervos da coluna vertebral, segundo um artigo publicado na revista científica Cell Transplantation.

O tratamento envolveu o transplante de células da cavidade nasal para a medula espinhal.

"Para mim, isto é ainda mais impressionante do que um homem caminhando na lua", afirmou o professor Geoffrey Raisman, do Instituto de Neurologia do University College de Londres (UCL). Fidyka foi operado há dois anos. Agora ele consegue caminhar com um andador, ter uma vida normal e até mesmo dirigir um automóvel, quatro anos depois de ter sido esfaqueado pelo ex-marido de sua companheira.

"Quando começa a voltar, você sente que sua vida começou de novo, como se tivesse nascido de novo. É uma sensação incrível, difícil de descrever", declarou Fidyka ao programa Panorama da BBC, que teve acesso exclusivo ao paciente e aos médicos. As imagens divulgadas pelo canal britânico mostram o paciente, que atualmente está em período de reabilitação, atravessando uma ponte com a ajuda de um andador.

"Eu sabia que seria difícil e prolongado, mas nunca quis aceitar a ideia de passar o resto de meus dias em uma cadeira de rodas", afirmou.

Darek Fidyka foi operado em duas ocasiões na Polônia por uma equipe médica coordenada pelo cirurgião Pawel Tabakow, da Universidade de Wroclaw. A operação sem precedentes é o resultado de 12 anos de pesquisas, disse o dr. Tabakow.

"Há 12 anos, nós realizamos pesquisas sobre a possibilidade de ajudar os pacientes que sofreram um rompimento total da espinha dorsal e que estão condenados a andar em cadeira de rodas até o fim da vida", explicou Tabakow, citado em um comunicado do hospital universitário de Wroclaw.

"Nós acreditamos que o procedimento é uma descoberta capital que, se for desenvolvida, representará uma mudança histórica para as pessoas que sofreram ferimentos na coluna vertebral", declarou o dr. Geoffrey Raisman.
Os cirurgiões utilizaram células olfativas (OEC) da cavidade nasal do paciente, a partir das quais se desenvolveram os tecidos seccionados.

A técnica, descoberta pela UCL, havia apresentado bons resultados em laboratório, mas nunca havia sido testada com êxito em um ser humano. "A operação fornece uma ponte que permite às fibras nervosas seccionadas crescer no vazio", resumiu o professor Raisman.

Os primeiros resultados positivos apareceram três meses depois da operação, financiada pela Nicholls Spinal Injury Foundation e pela Fundação Britânica sobre Células Tronco. Depois de outros três meses, o paciente era capaz de caminhar com a ajuda de barras paralelas.

Ao ser questionado sobre o alcance do tratamento, Alain Privat, cientista do Instituto Nacional da Saúde e de Pesquisa Médica (INSERM) francês, especializado na reconstrução da medula espinhal, recomendou "prudência", ao destacar que a operação precisa ser repetida para que seja possível tirar conclusões".

"Só um verdadeiro teste (clínico) permitirá mostrar que foi, sem dúvidas, o fato de ter enxertado as OEC o que fez funcionar novamente a medula espinhal", disse.

O cientista acrescentou que entre as dúvidas que precisam ser esclarecidas está a necessidade de confirmar que a medula espinhal havia sido totalmente seccionada.

AFP

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