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Os grupos jihadistas que atuam no Oriente Médio e na África

10:16 | 05/09/2014
Decapitações no Iraque, combates sangrentos na Líbia, sequestros na Nigéria: grupos fundamentalistas como o EI, a Al Qaeda e o Boko Haram espalham o terror pelo mundo árabe e mais além. A Al Qaeda é considerada a organização-mãe da jihad ("guerra santa" islâmica) global. Seu nome significa "base" ou "fundamento" e sua meta é a instauração de um Estado religioso abrangendo todos os países e territórios muçulmanos. Ela foi a mentora dos atentados de 11 de setembro de 2001. Desde a morte de Osama bin Laden, em maio de 2011, seu líder é o egípcio Ayman al-Zawahiri. Atualmente, a organização é uma rede informal de células, que agem de maneira basicamente autônoma em diferentes países. Entre elas estão a Al Qaeda do Magrebe Islâmico, que opera principalmente na Argélia, mas também no norte do Mali, e a Al Qaeda do Iêmen, uma fortaleza dos jihadistas. Jornais árabes têm noticiado sobre contatos entre os regimes da Líbia, Iraque e Iêmen que renunciaram ou foram depostos pelas revoluções deflagradas desde 2011 e os subgrupos nacionais da Al Qaeda. Com sua ajuda, os membros dos antigos regimes estariam tentando derrubar os governos atuais e se recolocar no poder. Estado religioso no Iraque e na Síria A organização terrorista sunita "Estado Islâmico" (EI) expandiu rapidamente suas bases de poder, tomando o controle de um território transfronteiriço no norte da Síria e do Iraque. Suas metas já estão explícitas no próprio nome: embora originalmente denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o EI suspendeu essa limitação geográfica, e suas pretensões de poder não conhecem mais fronteiras. Formado no Iraque a partir de um braço da Al Qaeda, o EI é considerado ainda mais radical do que ela. Consta que seja financiado, em primeira linha, por doações privadas do Catar e da Arábia Saudita, dois estados do Golfo Pérsico. Outras fontes de financiamento são os campos de petróleo no norte da Síria, assim como extorsões sistemáticas. Especialistas estimam que o grupo fundamentalista conte com cerca de 10 mil guerrilheiros em suas alas, engrossadas pela discriminação da minoria sunita no Iraque, além de numerosos combatentes religiosos e convertidos estrangeiros. O EI é alvo de execração internacional devido a práticas como a perseguição e execução de "infiéis" por apedrejamento ou decapitação nos territórios que domina. Ao mesmo tempo, continua atraindo ativistas de todo o mundo com a divulgação pela internet dos vídeos de suas lutas. A Frente al-Nusra é considerada um braço oficial da Al Qaeda. Seu nome significa "frente de apoio para o povo sírio". Fundada no segundo semestre de 2011, é considerada um dos principais grupos rebeldes da Síria. Ela está mais presente no norte do país, e o número de seus integrantes é calculado entre 5 mil e 7 mil. De seus fins declarados consta a fundação de um Estado islâmico na Síria e, subsequentemente, em todo o Levante (países do Mediterrâneo Leste). Ideologicamente, a Frente al-Nusra e o "Estado Islâmico" só se diferenciam ligeiramente, por suas pretensões de poder distintas. Enquanto o EI reivindica um território internacional, a Frente se restringe à Síria e partes do Iraque. Em agosto de 2014, ela sequestrou cerca de 40 soldados das tropas de paz da ONU nas Colinas de Golã. Terrorismo islâmico na África A Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI, na sigla em inglês) foi fundada em 1998 sob o nome "Grupo Salafista para Pregação e Combate", o qual, por sua vez, fora criado no início dos anos 1990 no contexto da guerra civil argelina. Em 2007 adotou seu nome atual, caracterizando-se como subgrupo da Al Qaeda no Norte da África. A AQMI tornou-se notória por diversos sequestros de turistas ocidentais na Argélia, além de uma série de atentados no país e na Tunísia. Um ramo seu invadiu em janeiro de 2013 um campo de gás natural em Amenas, sudeste da Argélia, fazendo numerosos reféns, dos quais quase 40 foram mortos durante a tentativa de libertação por militares argelinos. A AQMI tem também ligações estreitas com grupos terroristas na Líbia e no Mali. Ansar al-Sharia (Adeptos da Lei Islâmica) é o nome dado a diversas organizações na Líbia e na Tunísia, que possuem também grupos menores em muitos Estados do Oriente Médio e do Norte Africano. Nessas regiões, sua meta é impor a sharia, a lei tradicional islâmica. O principal reduto da Ansar al-Sharia é a cidade portuária líbia de Bengasi, onde ela é responsabilizada pelo atentado ao consulado dos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2012. Nele foram mortas quatro pessoas, inclusive o embaixador americano na Líbia John Christopher Stevens. A Ansar al-Sharia refuta as acusações de estar ligada à Al Qaeda. O nome da organização terrorista Boko Haram significa, aproximadamente, "educação ocidental é pecado". Ela combate no norte da Nigéria, que tem maioria muçulmana, em nome da introdução da sharia em todo o país. A Organização despertou atenção internacional com uma recente série de sequestros em massa. A grande pobreza e o desemprego no norte da Nigéria facilitam ao Boko Haram o recrutamento de novos guerrilheiros. As forças de segurança nigerianas não estão à altura de enfrentar os terroristas fortemente armados. Desde 2003 eles já fizeram milhares de vítimas em atentados contra instalações de segurança, instituições públicas, igrejas e escolas. Somente nos primeiros quatro meses de 2014 houve cerca de 2 mil mortes em atentados perpetrados pelo Boko Haram. Em abril, o grupo sequestrou mais de 300 alunas de uma escola cristã no norte do país, parte das quais se encontra até hoje em seu poder. A Ansar Dine (Adeptos da religião) é uma organização terrorista malinesa com ligações distantes à Al Qaeda. Ela se formou nos anos 1990 durante uma rebelião dos tuaregues. Além de querer a independência dessa etnia (os quais, no entanto, só representa em parte), o grupo luta pela introdução da sharia e pelo caráter islâmico dos territórios que ocupa. No início de 2012, juntamente com militantes de outras organizações, o Ansar Dine atacou instituições do governo malinês no norte do país. A ocupação só pôde ser terminada com a mobilização maciça das Forças Armadas francesas. Em meados do mesmo ano, o grupo destruiu o mausoléu de Sidi Mahmud Ben Amar, em Timbuktu, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. A milícia radical islâmica Al Shabaab (A juventude) foi criada entre 2004 e 2006 na Somália, que na época já se encontrava em guerra civil há cerca de 15 anos. O grupo luta por um Estado religioso no Chifre da África. Sua ideologia fundamentalista não reconhece fronteiras nacionais. Hoje, ela realiza atentados por todo o Leste Africano. Na capital do Quênia, Nairóbi, um ataque seu contra um centro comercial em setembro de 2013 matou mais de 60 pessoas. O Al Shabaab controla vastas áreas do centro e sul somalianos. Seus líderes afirmam cooperar com a Al Qaeda no treinamento dos milicianos. Além disso, o grupo tem conexões com os fundamentalistas islâmicos do Boko Haram.

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