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Comboio humanitário russo segue bloqueado perto da fronteira com a Ucrânia

11:39 | 16/08/2014
O comboio russo de ajuda humanitária para os civis do leste da Ucrânia continua bloqueado neste sábado a cerca de 30 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, enquanto o líder pró-russo de Donetsk acusou Kiev de retardá-lo deliberadamente.

O reduto separatista de Donetsk, sitiado pelo exército ucraniano, "está em uma situação muito preocupante e a ajuda humanitária enviada pela Rússia e que ainda não recebemos é tão necessária quanto o oxigênio", declarou o "primeiro-ministro" rebelde Alexander Zajarchenko.

"O exército ucraniano (...) não quer que a ajuda humanitária chegue até nós e impede a sua passagem", considerou. Além disso, "o governo ucraniano continua impondo todos os obstáculos possíveis, legais ou de outro tipo", lamentou.

Os cerca de 300 caminhões russos, transportando 1.800 toneladas de ajuda humanitária segundo Moscou, continuam estacionados na manhã deste sábado na cidade de Kamensk-Shakhtinski.

Os guardas de fronteira e agendes alfandegários ucranianos, que já estão na Rússia, ainda não começaram a inspecionar o comboio e estão aguardando documentos da Cruz Vermelha, que será responsável pela distribuição da ajuda nos redutos rebeldes sitiados pelo exército ucraniano.

O chefe da missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) na região, Paul Picard, explicou que uma reunião entre os serviços aduaneiros russos e representantes ucranianos ocorreu na manhã deste sábado, sem dar mais detalhes.

Enquanto isso, a Cruz Vermelha, que não participou da reunião, afirmou que ainda não realizou nenhuma inspeção, já que espera um acordo entre os dois lados em conflito.

Em Donetsk, onde os combates chegaram ao centro da cidade, intensos disparos de artilharia foram ouvidos durante a madrugada.

Em Lugansk, outro reduto dos separatistas pró-russos, onde não há água, eletricidade ou rede de telefone há duas semanas atrás, a situação humanitária é "muito difícil", declarou neste sábado a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW). Segundo as autoridades locais, houve um forte bombardeio na sexta-feira à noite, após o qual vários incêndios foram relatados.

HRW também relatou o uso de armas pesadas por ambos os lados em áreas povoadas, que matou dezenas de civis nos últimos dias. Os Estados Unidos pediram recenteme a Kiev "moderação" para limitar o número de vítimas civis.

No plano internacional, uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Ucrânia foi programada para domingo, na presença do chanceler alemão, para tentar aliviar a tensão depois de Kiev afirmar na sexta-feira ter destruído parte de uma coluna de blindados russos que entrou em seu território.

A tensão aumentou consideravelmente depois que jornalistas britânicos informaram que 23 veículos blindados de transporte de tropas russas, apoiados por veículos de logística, haviam cruzado a fronteira na noite de quinta-feita, perto do posto de fronteira de Donetsk, por onde deve passar o polêmico comboio humanitário russo com destino às vítimas do conflito no leste da Ucrânia.

Citando uma incursão de blindados russos na quinta-feira à noite em território ucraniano, o presidente Petro Poroshenko declarou que "grande parte desse material foi destruída durante a noite pela artilharia ucraniana" em uma conversa por telefone com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

"Uma ação apropriada foi tomada contra essa coluna e parte dela não existe mais. Ela foi destruída", afirmou o porta-voz militar ucraniano, Andrii Lysenko.

Os Estados Unidos pediram à Rússia que cesse suas "provocações", estimando que o aumento da atividade russa para desestabilizar a Ucrânia nestas últimas semanas é "extremamente perigoso e provocador".
Já os ministros das Relações Exteriores da União Europeia exigiram que a Rússia "pare imediatamente com qualquer forma de hostilidade" na fronteira com a Ucrânia.

AFP

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