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Candidato a presidência afegã contesta resultado parcial

09:40 | 08/07/2014
A crise política no Afeganistão ficou ainda mais séria nesta terça-feira, quando o candidato Abdullah Abdullah, que perdeu a eleição presidencial segundo resultados preliminares, afirmou ter vencido o pleito e estuda formar seu próprio governo.

Em discurso realizado em Cabul, Abdullah adotou um tom desafiador e disse que não chegaria a um acordo com seu rival, o ex-ministro de Finanças Ashraf Ghani, que conquistou a maioria dos votos do segundo turno, realizado em 14 de junho, embora o resultado possa ainda ser alterado na medida em que fraudes eleitorais forem julgadas, informou a comissão eleitoral afegã na segunda-feira.

"O povo afegão quer que anunciemos nosso governo", declarou nesta terça-feira Abdullah, que já foi ministro de Relações Exteriores do país. "Eu me sacrificarei por vocês, mas nunca aceitarei um governo fraudulento."

A crise política no país vem à tona na medida em que a insurgência do Taleban avança, a economia está estagnada e a ajuda internacional diminui e pode levar ao rompimento do Estado afegão.

Segundo resultados preliminares, Abdullah, que recebeu a maioria dos votos no primeiro turno eleitoral realizado em abril, ficou na segunda colocação no segundo turno do pleito, ocorrido em junho, com 43,3% dos votos, ante 56,4% obtidos por Ghani.

Embora a contagem deva ser revisada pela agência eleitoral antes de se tornar oficial, a divulgação dos resultados parciais na segunda-feira provocou uma reação irritada de Abdullah e seus partidários. Abdullah alega que 2 milhões de votos foram fraudados em benefício de seu rival, de um total de 8,1 milhões, acusação negada pela campanha de Ghani.

A disputa eleitoral preocupa profundamente os Estados Unidos e a comunidade internacional. Abdullah disse ter conversado com Barack Obama e afirmou que o presidente norte-americano vai enviar seu secretário de Estado, John Kerry, a Cabul para ajudar a resolver o impasse. "Eu não quero uma guerra civil", declarou Abdullah. "Eu não quero uma crise."

As discussões têm se intensificado desde o anúncio dos resultados preliminares. O governador da província de Balkh, Atta Mohammad Noor, um dos mais importantes aliados de Abdullah, convocou na noite de segunda-feira uma "ampla agitação civil" e advertiu para a formação de um "governo paralelo".

Abdullah e Atta são líderes proeminentes da Aliança do Norte, grupo que combate o Taleban desde antes da invasão norte-americana em 2001. Muitos dos ex-comandantes da Aliança do Norte ainda mantêm milícias armadas no norte do Afeganistão, enquanto outros se integraram ao Exército e à polícia afegãos.

Abdullah ficou em segundo lugar quando o presidente Hamid Karzai foi eleito em 2009, pleito também marcado por muitas fraudes. Na época, mais de um milhão de votos, a maioria para Karzai, foram desqualificados pela agência eleitoral. Abdullah desistiu de participar do segundo turno naquele ano, afirmando não confiar nas autoridades eleitorais, mas não organizou protestos. Fonte: Associated Press.

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