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Repórter da Al-Jazeera no Egito é libertado

15:40 | 18/06/2014
O jornalista Abdullah Elshamy, que trabalha no serviço em árabe da rede Al-Jazeera, foi libertado na noite de terça-feira no Cairo. O repórter de 26 anos estava em greve de fome havia mais de quatro meses em protesto contra sua longa detenção sem acusações formais pelas autoridades egípcias.

Ao sair da cadeia, ele foi recebido com aplausos e abraços de familiares e de dezenas de amigos e partidários. Sua mãe, sua mulher e seus irmãos se reuniram com ele do lado de fora da delegacia de polícia num subúrbio do norte do Cairo. O procurador-geral do Egito ordenou sua libertação citando "problemas de saúde" após 10 meses preso sem acusação.

Elshamy, que era gorducho, tinha aparência frágil e magra e ostentava uma barba espessa ao sair da delegacia de Nasr City, ainda usando o uniforme da prisão.

"Eu venci", disse ele aos jornalistas, apesar da pressão das autoridades presidiárias para que encerrasse a greve de fome, medidas que incluíram colocá-lo em confinamento solidário. "Eu perdi 45 quilos mas tinha certeza de que Deus me faria vitorioso". A família disse que iria levá-lo ao hospital.

Sua prisão, assim como o julgamento de outro jornalista da Al-Jazeera, tem relação com a ampla repressão contra partidários do ex-presidente islamita Mohammed Morsi, desde sua deposição no ano passado.

Autoridades egípcias acusam a rede de televisão de apoiar a Irmandade Muçulmana, da qual Morsi faz parte. A emissora, sediada no Catar, nega as acusações.

Horas antes, o jornalista canadense egípcio que também trabalha para a Al-Jazeera e está detido há seis meses, declarou ter esperanças de que a libertação de Elshamy por razões médicas signifique que ele também será liberado. Mohammed Fahmy falou em um hospital privado onde passa por exames no ombro, problema que piorou durante o tempo de prisão.

Fahmy e outros dois jornalistas do serviço em inglês da Al-Jazeera são julgados por terrorismo, o primeiro caso deste tipo contra repórteres no Egito. O veredicto do julgamento, que começou em fevereiro, deve ser anunciado na segunda-feira.

Fahmy, ex-produtor da CNN que contribui para outras empresas de comunicação ocidentais, é acusado de pertencer à Irmandade Muçulmana, o que ele nega. Dentre os réus está o jornalista australiano Peter Greste e o egípcio Baher Mohammed, que também trabalham na Al-Jazeera.

Sentenças de morte

Nesta quarta-feira, um tribuna egípcio sentenciou à morte 12 partidários de Morsi, sob a acusação de conexão com os disparos que mataram um general da polícia no ano passado.

Os condenados fazem parte de um grupo de 23 réus acusados de assassinato ou tentativa de assassinato durante uma ação policial contra um reduto islamita na capital em 19 de setembro, parte da sangrenta repressão que aconteceu após a deposição de Morsi pelo Exército em julho.

Os acusados também foram indiciados por "pertencer a uma organização jihadista". Os outros 11 réus continuam foragidos. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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