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Opinião: Poroshenko é presidente de um país em situação extrema

14:13 | 07/06/2014
Nunca um chefe de Estado da Ucrânia contou com a confiança de tantos. E nunca teve de vencer desafios tão difíceis. Petro Poroshenko terá de corresponder a muitas expectativas, opina articulista da DW Bernd Johann. Mesmo antes de assumir o cargo, o novo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, já havia conversado com os políticos ocidentais mais importantes. Ele se encontrara em Varsóvia com o chefe de Estado americano, Barack Obama. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, o recebeu para um jantar em Berlim. E na Normandia, houve um até mesmo um breve, embora gélido, encontro com o chefe do Kremlin, Vladimir Putin. Pois, após a anexação da Crimeia, a política agressiva de Putin põe em questão as fronteiras da Ucrânia ao Leste. Como Merkel e Obama, todos querem ou, como Putin, devem falar agora com Poroshenko. Nunca antes uma eleição presidencial na Ucrânia foi decidida com um resultado tão inequívoco: o influente empresário e político Petro Poroshenko venceu já no primeiro turno. E conseguiu maioria em todas as partes do país com exceção da região de Donetsk, onde, usando de violência, os separatistas impediram quase inteiramente a realização das eleições. Politicamente, Poroshenko é um homem de centro. Sua decidida legitimação democrática pode torná-lo um presidente forte. E a Ucrânia precisa urgentemente de um homem forte no topo do poder. Com o apoio de Moscou, grupos armados pró-russos têm instigado uma guerra no leste do país que faz novas vítimas a cada dia. A Rússia continua a permitir que armas e combatentes estrangeiros atravessem a fronteira para a Ucrânia. Além disso, há a difícil situação econômica da Ucrânia como um todo. Somente com ajuda financeira internacional poderá ser evitada uma inadimplência estatal. Reformas abrangentes são necessárias para assegurar que ela volte a conquistar estabilidade econômica. Ao mesmo tempo, Moscou faz pressão sobre o país dependente do fornecimento de energia russo. Através da mediação do comissário de Energia da União Europeia, Günther Oettinger, um acordo seria possível certo, ele ainda não é. Poroshenko terá que resolver todos esses problemas. Ele é agora o chefe de Estado de um país que se encontra em situação extrema. Seu antecessor Viktor Yanukovytch saqueou a Ucrânia, de fato, levando-a ao fundo do poço político até se formar um amplo movimento de protesto contra o abuso de poder, e o impopular presidente ser expulso. Os cidadãos ucranianos estão desapontados. Eles querem paz e uma vida normal, orientada por padrões europeus. Todas as esperanças estão agora em Poroshenko: ele precisa promover o retorno da confiança popular no Estado e em suas instituições. Essa é uma tarefa extremamente difícil. Para tal, Poroshenko conta com todo o apoio do Ocidente. Ele quer levar seu país em direção à UE. Ao mesmo tempo, quer manter boas relações com a Rússia. Porque, sem Moscou, não é possível resolver o conflito no leste da Ucrânia. Com razão, Poroshenko está preparado para agir com toda dureza contra os separatistas. Mas o novo presidente terá agora de convencer os habitantes de Donetsk e de Lugansk e, na verdade, também de toda a Ucrânia de que a sua política satisfaz as esperanças de uma vida melhor.

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