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Em meio ao avanço dos radicais sunitas, Kerry faz visita surpresa ao Iraque

11:08 | 23/06/2014
Em encontro a portas fechadas com primeiro-ministro iraquiano, secretário de Estado dos EUA discute segurança no país diante do avanço de insurgentes islâmicos. Estados Unidos pedem governo inclusivo no Iraque. Numa visita surpresa ao Iraque, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, desembarcou em Bagdá nesta segunda-feira (23/06), onde participou de uma reunião com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki. No encontro, que durou pouco mais de uma hora e meia, os dois governantes discutiram a situação da segurança no país, onde o grupo extremista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) continua avançando rumo à capital. Após a reunião a portas fechadas, o secretário de Estado foi acompanhado até seu carro pelo ministro do Exterior Hoshiyar Zebari e limitou-se a dizer que o encontro "foi bom". A reunião foi realizada no mesmo complexo em que um jornalista iraquiano arremessou um sapato contra o ex-presidente George W. Bush, em 2008. A viagem de Kerry para negociar uma solução para a crise no Iraque teve início neste domingo, quando ele passou pelo Egito e pela Jordânia. No Cairo, ele assegurou que os Estados Unidos não pretendem interferir nas decisões que a liderança do Iraque tomar. No entanto, Kerry acrescentou que Washington está ciente da insatisfação entre curdos, sunitas e até alguns xiitas com o governo de Al-Maliki, no poder desde 2006. O secretário de Estado enfatizou que os Estados Unidos esperam que os iraquianos encontrem uma liderança disposta a dividir o poder entre todos os grupos do país. Washington teme o governo xiita de Al-Maliki tenha piorado a situação no país ao afastar sunitas moderados, que agora simpatizam com os extremistas do EIIL ou até mesmo os apoiam. Encontros recentes entre Al-Maliki e diplomatas americanos foram descritos como tensos, e o clima esperado para a reunião desta segunda-feira não era amigável. Enquanto Washington não admite pressionar para que o premiê deixe o poder, diplomatas iraquianos disseram que a mensagem foi transmitida nos bastidores. Do outro lado, segundo uma fonte próxima de Al-Maliki, o político estaria descontente com o fato de os EUA não terem fornecido apoio militar consistente diante da atual crise. Na última semana, o presidente Barack Obama concordou em enviar 300 conselheiros militares ao Iraque para ajudar o Exército a enfrentar os extremistas, mas descartou bombardeios aéreos ou o envio de tropas de combate. Em Bagdá, Kerry também se reuniu com o clérigo xiita Ammar al-Hakim e com o porta-voz do Parlamento, Osama al-Nujaifi, um dos mais influentes xiitas do país. "Estes são tempos difíceis. A principal preocupação é o povo iraquiano, a integridade do país, suas fronteiras e sua soberania", reiterou Kerry no encontro com al-Nujaifi. O secretário de Estado deve se encontrar com lideranças da Otan em Bruxelas, nesta terça-feira. Ministros do Exterior da União Europeia também se reuniram para discutir a crise no Iraque nesta segunda-feira, em Luxemburgo. BWS/rtr/dpa/ap

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