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Abbas empossa novo governo de unidade palestino

11:10 | 02/06/2014
O presidente palestino Mahmoud Abbas empossou nesta segunda-feira um novo governo de unidade, o que representa um importante passo na direção de encerrar a divisão territorial e política com o grupo rival Hamas, embora a medida também indique novos atritos com Israel.

A rápida cerimônia realizada no quartel-general de Abbas na Cisjordânia foi precedida por uma disputa de último minuto sobre a composição do gabinete de tecnocratas, composto por 17 membros, o que indica a continuidade das tensões entre os rivais.

O grupo militante islâmico Hamas, que tomou em 2007 a Faixa de Gaza do Fatah, grupo do qual Abbas faz parte, havia exigido a reversão da decisão de extinguir o cargo de ministro para Assuntos dos Prisioneiros. Autoridades do Hamas anunciaram, minutos antes do início da cerimônia de posse, que a disputa havia sido resolvida, embora a natureza do acordo não esteja clara.

A formação de um governo de unidade é o passo mais significativo na direção do fim da divisão política que enfraqueceu a questão palestina para a formação de um Estado palestino na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel em 1967.

Após a tomada de Gaza em 2007, o Hamas estabeleceu seu próprio governo na região, o que deixou Abbas apenas com as área autônomas da Cisjordânia.

"Hoje, nós declaramos o fim da cisão e a retomada da unidade da pátria e das instituições", disse Abbas em discurso gravado levado ao ar pela televisão palestina após a cerimônia de posse. "Esta página negra da nossa história foi fechada para sempre e nunca deve voltar", acrescentou Abbas.

O Hamas expressou sentimentos semelhantes. "Podemos dizer que a cisão ficou para trás agora", afirmou Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas em Gaza, acrescentando que os palestinos "têm grandes desafios à frente para eliminar os vestígios da cisão".

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que seu governo vai ignorar o gabinete palestino porque ele é apoiado pelo Hamas, considerado um grupo terrorista por Israel e pelo Ocidente. O Hamas realizou vários ataques que mataram centenas de israelenses. No domingo, Netanyahu disse que o governo palestino vai "fortalecer o terrorismo" e que "a comunidade internacional não deve aceitá-lo".

Tentando tranquilizar o Ocidente, Abbas disse várias vezes nos últimos dias e reiterou nesta segunda-feira que o novo governo vai seguir seu programa pragmático. Abbas precisa de ajuda externa para manter o governo financeiramente.

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) disseram que qualquer governo palestino deve reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos anteriores, condições aceitas por Abbas mas rejeitadas pelo Hamas. Fonte: Associated Press.

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