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Ex-primeira-ministra é libertada na Tailândia

11:40 | 27/05/2014
A junta militar que assumiu o poder na semana passada na Tailândia anunciou nesta terça-feira a libertação da ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra, ao mesmo tempo em que um dos ministros do governo destituído era detido durante uma coletiva de imprensa.

Yingluck, irmã do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra que continua a ser apesar de seu exílio o fator de divisão do país, se apresentou na sexta-feira ao novo regime militar, no dia seguinte ao golpe de Estado.

Desde então, nenhuma informação precisa sobre sua localização foi fornecida pelas novas autoridades.

"Ela retornou para casa", anunciou nesta terça-feira o porta-voz da junta, Winthai Suvaree.

"Todos aqueles que foram libertados devem assinar um acordo se comprometendo a informar o Conselho Nacional para a Paz e a Ordem (nome da junta) de sua localização", acrescentou.

Esta medida aplica-se apenas aos deslocamentos mais longos e inclui uma interdição de deixar o território nacional sem autorização.

Yingluck, destituída pela Justiça no início de maio, foi detida na sexta-feira junto com outras 250 personalidades.

Entre eles, Chaturon Chaisong, ministro da Educação do governo destituído, que explicou nesta terça durante uma coletiva de imprensa ter se recusado a se apresentar à junta por razões de "consciência".

"Não tenho nenhuma intenção de fugir, de resistir ou de esconder-me para combater. Estarei preparado para ser detido quando chegar o momento", afirmou, ao denunciar o golpe de Estado e pedir o retorno da democracia.

Poucos minutos depois, soldados levaram o ex-ministro diante de dezenas de câmeras.

A junta destacou que, de acordo com a lei marcial, poderia deter sem acusações as pessoas que se apresentassem à convocação durante sete dias.

As pessoas que não se apresentaram poderiam ser julgadas em uma corte marcial e condenadas a até dois anos de prisão, além de multa de 40.000 bahts (900 euros).

Enquanto várias manifestações contra o golpe de Estado são organizadas desde quinta-feira, apesar da proibição e ameaças do Exército, Chaturon também pediu para que seus compatriotas lutem, sem violência, pela democracia.

"As pessoas que querem a democracia (...) devem fazer todos os esforços para tentar restaurar a democracia no país", mas devem "evitar o confronto e a violência", declarou.

Cerca de 150 manifestantes se reuniram em Bangcoc nesta terça-feira, desafiando a proibição de protestos.

Desde o golpe de Estado denunciado pela comunidade internacional, a junta suspendeu a Constituição, concentrando todos os poderes nas mãos do chefe do Exército, o general Prayut Chan-O-Cha. Ela também impôs um toque de recolher e restrições à liberdade de imprensa.

O novo regime recebeu na segunda-feira a aprovação do rei Bhumibol, de 86 anos, considerado por muitos tailandeses como um semideus e como o cimento de uma nação profundamente dividida.

O respaldo do monarca é tradicionalmente um procedimento chave para a legitimação dos recorrentes golpes militares no país: 19, entre os que tiveram sucesso e simples tentativas, desde 1932.

O golpe contra Thaksin, em 2006, marcou o início de uma série de crises, opondo de um lado as massas desfavorecidas do norte e nordeste, fiéis ao bilionário, e do outro as elites de Bangcoc que gravitam ao redor do palácio real.

O movimento lançado no ano passado contra Yingluck e o "sistema Thaksin", que seus manifestantes associam à corrupção generalizada, foi apenas o último episódio da crise no país.

Os protestos terminaram com a lei marcial declarada pelo Exército, dois dias antes do golpe.

Enquanto a crise política, que já matou 28 pessoas em sete meses, ameaça a imagem da Tailândia na cena internacional, o chefe da Força Aérea, agora ministro do Turismo, prometeu o retorno dos turistas estrangeiros.

"O fato é que ainda vivemos felizes, mais felizes do que antes da lei marcial", disse o almirante Narong Pipatanasai.
AFP

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