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Separatistas erguem bandeira russa em blindados ucranianos

Presidente russo, Vladimir Putin, aletrou para o risco de uma guerra civil na Ucrânia

09:59 | 16/04/2014
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Vários blindados com bandeiras russas circulavam nesta quarta-feira, 16, na região leste da Ucrânia controlada em parte por insurgentes pró-Rússia, na véspera de uma reunião em Genebra sobre a crise entre Moscou e Kiev, que trocam acusações sobre tentativas de instigar uma guerra civil.

Um correspondente da AFP viu três blindados leves e um caminhão com a bandeira russa na cidade de Kramatorsk. Os veículos transportavam homens armados, uniformizados mas sem insígnias.

O comboio seguia para Slaviansk, alguns quilômetros mais ao norte, cidade controlada desde domingo por insurgentes armados pró-Moscou.

Segundo a imprensa russa são tanques ucranianos que teriam decidido unir-se aos insurgentes, mas as autoridades ucranianas afirmaram à AFP que não perderam nenhum veículo militar.
O ministro ucraniano da Defensa, Mikhailo Koval, viajou ao leste do país para elaborar um relatório sobre a situação, anunciou o vice-premier ucraniano Vitali Yarema.

Em Donestk, 20 homens armados e encapuzados invadiram a sede da prefeitura. Desde 6 de abril os insurgentes separatistas ocupam a sede da administração regional na cidade. De acordo com o Serviço de Segurança Ucraniano (SBU), os comandantes separatistas que atuam no leste do país têm ordens do Kremlin de "atirar para matar".

Os separatistas ocupam edifícios públicos em pelo menos 10 cidades da região. Desde a destituição em fevereiro do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovytch, que foi substituído por um governo pró-Ocidente, a tensão aumenta no leste do país. Moscou prometeu fazer "todo o possível" para proteger a população de língua russa.

A Ucrânia integrou a União Soviética até sua independência em 1991. A escalada coincide com a reunião prevista para quinta-feira em Genebra, onde representantes da Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos tentarão buscar uma solução para o conflito, o mais grave entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria.

A Rússia quer uma "federalização" do país, que daria uma grande autonomia às regiões do leste, mas Kiev rejeita esta ideia por temer que represente o primeiro passo para uma dissolução do país. O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, que acusou a Rússia de estar construindo um novo "muro de Berlim", disse que a Ucrânia pedirá a Moscou que deixe de apoiar os separatistas.

O presidente russo Vladimir Putin acusou na terça-feira o governo ucraniano de instigar uma "guerra civil" na região, durante uma conversa com a chefe de Governo da Alemanha, Angela Merkel, segundo um comunicado do Kremlin. A Rússia também pediu "uma condenação clara da ONU e da comunidade internacional" do que considera ações "inconstitucionais".

O governo interino ucraniano, que tem a missão de organizar eleições em 25 de maio, não consegue controlar a situação na região leste do país, de 46 milhões de habitantes, onde convivem ucranianos e russos. As autoridades temem a repetição do que ocorreu na Crimeia, uma península de maioria russa que foi tomada primeiro por unidades pró-Moscou e em seguida anexada à Rússia, após um referendo considerado ilegal pelos países ocidentais.

AFP

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