PUBLICIDADE
Notícias

Mergulhadores retiram primeiros corpos de balsa sul-coreana naufragada

O balanço de morte deste acidente chega a 36, mas ainda há 266 pessoas desaparecidas

15:19 | 19/04/2014

Mergulhadores resgataram neste sábado os três primeiros corpos da balsa sul-coreana que naufragou na quarta-feira com 476 pessoas a bordo, enquanto o capitão detido defendeu a decisão de adiar a saída dos passageiros da embarcação.

"Os mergulhadores quebraram a janela de uma cabine de passageiros pouco antes da meia-noite e retiraram três corpos", afirmou uma fonte da Guarda Costeira à AFP.

Os três corpos estavam com coletes salva-vidas, segundo a mesma fonte, indicou a fonte, acrescentando que dois eram homens.
As equipes de emergência pretendem prosseguir com o resgate durante toda a noite, segundo a Guarda Costeira.

[SAIBAMAIS2]

Durante o dia, os mergulhadores, que lutam há três dias para vencer as fortes correntezas e o mar agitado, conseguiram enfim entrar na embarcação, totalmente afundada.

O balanço de morte deste acidente chega a 36, mas ainda há 266 pessoas desaparecidas.

O capitão Lee Joon-seok e dois membros da tripulação foram detidos neste sábado e terão que responder por acusações de negligência e falhas na segurança dos passageiros, uma violação do código marítimo.

O homem de 69 anos tem sido muito criticado por ter abandonado a embarcação que naufragou na quarta-feira na costa meridional da Coreia do Sul, enquanto centenas de pessoas, em sua maioria adolescentes em viagem escolar, permaneciam presas a bordo.

O balanço mais recente da tragédia registra 33 mortos e 269 desaparecidos.

Os mergulhadores, que há três dias lutam contra as correntes e o mar agitado, conseguiram finalmente entrar na área de passageiros, que está totalmente submersa.

"Os mergulhadores viram três corpos através de uma janela", anunciou Choi Sang-Hwan, subdiretor da Guarda Costeira.

"Tentaram recuperar os corpos quebrando o vidro, mas era muito difícil", completou durante uma reunião com os parentes dos desaparecidos.

Os parentes assistiram um vídeo com imagens gravadas por um mergulhador, mas apesar da lanterna potente utilizada a visibilidade era muito reduzida.

De acordo com a Guarda Costeira, ao invés de apenas dois mergulhadores, as próximas missões devem contar com até 10 mergulhadores.

Os familiares receberam neste sábado uma mensagem de pêsames do papa Francisco, que tem uma visita programada ao país em agosto.

"Rezem comigo pelas vítimas da catástrofe da balsa na Coreia do Sul e por suas famílias", escreveu o pontífice no Twitter.

Decisão de adiar a saída

O subdiretor da Guarda Costeira, que afirma ainda ter esperanças de encontrar sobreviventes, informou que serão instaladas redes ao redor da balsa "Sewol" para impedir o afastamento dos corpos.

O capitão e dois tripulantes foram levados para a delegacia de Jindo, a ilha vizinha ao local da tragédia.

Lee Joon-seok tentou explicar os motivos de sua decisão de adiar a saída dos passageiros depois que a embarcação ficou imobilizada.

As 476 pessoas que estavam a bordo receberam ordem para que permanecessem em seus assentos por mais de 40 minutos, segundo sobreviventes.

Quando a balsa começou a afundar era muito tarde, já que os passageiros não conseguiam avançar pelos corredores inclinados, ao mesmo tempo que a água dominava a embarcação.

"Naquele momento (durante os 40 minutos posteriores ao choque), os barcos de emergência não haviam chegado. Também não havia pesqueiros ou quaisquer outros barcos que pudessem nos ajudar", declarou o capitão com a cabeça abaixada e coberta por um capuz.

"As correntes eram fortes e a água estava muito fria. Pensei que os passageiros seriam arrastados e teriam dificuldades se a retirada acontecesse em desordem, sem coletes salva-vidas" disse.

"E teria acontecido o mesmo com coletes", acrescentou.

Não foram encontrados sobreviventes desde a manhã de quarta-feira. Os 174 sobreviventes foram resgatados poucas horas depois do naufrágio, no mar ou quando pulavam da balsa que ainda afundava.

A embarcação transportava 476 pessoas, incluindo 352 estudantes do colégio Danwon de Ansan, uma localidade ao sul de Seul, que estavam em uma viagem escolar.

O vice-diretor da escola, que havia sobrevivido à catástrofe, foi encontrado enforcado na sexta-feira, em um aparente suicídio.

"Sobreviver é muito difícil... Eu assumo toda a responsabilidade", escreveu em uma carta encontrada em sua carteira, segundo a imprensa local.

A revolta dos familiares aumentou nas últimas 48 horas. Os pais acusam as autoridades e os serviços de emergência de incompetência e indiferença.
"Não temos muito tempo. Muitos acreditam que é o último dia possível para encontrar passageiros vivos", disse Nam Sung-Won, que tinha um sobrinho de 17 anos a bordo.

"Depois de hoje, tudo estará acabado", completou.

A causa do acidente ainda não foi determinada. As informações da Marinha indicam que a balsa girou bruscamente antes de enviar um sinal de socorro. O choque pode ter desequilibrado a carga - 150 automóveis - e inclinado a embarcação.

AFP

TAGS