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UE estuda sanções contra a Rússia

17:06 | 03/03/2014
Após reunião em Bruxelas, ministros europeus do Exterior ameaçam Moscou com suspensão de acordos bilaterais para facilitar vistos e de cooperação econômica. EUA também avaliam sanções. A União Europeia ameaçou a Rússia com sanções concretas, caso o país não colabore para uma distensão do conflito com a Ucrânia. Já está sendo cogitada a suspensão das negociações sobre a facilitação de vistos para cidadãos russos e sobre acordos de cooperação. Após reunião com seus colegas de pasta europeus nesta segunda-feira (03/03), em Bruxelas, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que se não houver medidas "rápidas e confiáveis" que acalmem os ânimos na região, a UE vai precisar reagir. Está marcado para a próxima quinta-feira um novo encontro dos Estados-membros da UE, caso o impasse se mantenha. Antes de impor sanções, os europeus esperam que os russos recuem em sua a investida militar sobre a República Autônoma da Crimeia. A tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a deposição do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych, aliado da Rússia, e a consequente ocupação russa da Crimeia. As tropas enviadas pelo presidente Vladimir Putin assumiram o controle da península no Mar Negro pertencente à Ucrânia, mas de maioria russa, e considerada ponto estratégico. A intervenção vem deflagrando o maior confronto entre a Rússia e o Ocidente, desde o colapso da União Soviética, em 1991. "Ainda há tempo" Falando ao canal privado de televisão BFM, o ministro francês do Exterior, Laurent Fabius, abordou a premência da situação. "Se nas próximas horas não houver um recuo, vamos decidir medidas concretas, como a suspensão de todas as negociações sobre vistos e a suspensão de acordos econômicos. Concretamente, isso significa um corte de laços em diversos assuntos." Caso os russos não voltem atrás na pressão que fazem contra a Ucrânia na Crimeia, poderá haver ainda "medidas direcionadas" contra determinadas pessoas e seus bens em território europeu, complementou Fabius. O porta-voz do governo da Alemanha, Steffen Seibert, declarou que "ainda não é tarde para tentar resolver esta crise por meios políticos e amigáveis". Ele enfatizou que a Alemanha e seus parceiros europeus apoiam "uma solução no sentido contrário à lógica da mobilização de tropas e das marchas de soldados". O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, garantiu respaldo da UE à Ucrânia, ressaltando que há uma "perspectiva europeia" para os ucranianos, no futuro. "O mínimo que podemos fazer pela Ucrânia é apoiar a sua soberania", prometeu. Aumenta pressão dos EUA Enquanto os europeus sobretudo as principais potências, Alemanha, França e Reino Unido tentam mediar o conflito, os Estados Unidos também exercem pressão sobre os russos, para que desocupem a Crimeia. Uma porta-voz do Departamento americano de Estado revelou que o país também começa a estudar sanções sobre Moscou. Segundo comunicado da Cassa Branca, durante telefonema nesta segunda-feira com o primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, o vice-presidente americano, Joe Biden, insistiu que o país retire suas tropas da península. Mantendo a intransigência, a Rússia aumentará seu isolamento "político e econômico". Portanto, deve "apoiar o envio imediato de observadores internacionais para a Ucrânia e iniciar um diálogo político construtivo com o governo ucraniano", enfatizou Biden. No domingo, o secretário americano de Estado, John Kerry, havia declarado que a Rússia está se comportando "como no século 19, ao invadir outro país com um pretexto completamente forjado". Ele lembrou que o país ainda dispõe de "uma série de opções" que poderiam ser usadas para dispersar a crise. Ameaça de corte de gás Nesta segunda-feira, o Ministério russo do Exterior tachou de "inaceitáveis" as declarações de Kerry, e acusou o secretário americano de recorrer a "clichês da Guerra Fria" sem se preocupar em compreender os complexos processos que ocorrem atualmente na sociedade ucraniana. Moscou acusa os Estados Unidos e seus aliados de "fecharem os olhos à russofobia e ao antissemitismo evidentes" dos oposicionistas que tomaram o poder em Kiev. A crise ainda vem sendo agravada pela ameaça da empresa russa de energia Gazprom de suspender o fornecimento à Ucrânia, caso o país não quite uma dívida de 1,5 bilhão de dólares. O ministro russo da Energia já dissera não ver razão para renovar o contrato que estabelece uma redução no preço que a Ucrânia paga pela energia proveniente da Rússia. O acordo negociado em 2013 previa reduções no preço até março deste ano. "Sem os pagamentos do gás e sem cumprir os compromissos, a Ucrânia não pode manter o desconto no preço do gás", declarou o porta-voz da Gazprom à agência de notícias Bloomberg. MSB/rtr/lusa/afp/ap

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