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Milhares de manifestantes protestam contra projeto do governo sobre aborto

Milhares de pessoas ao gritos de "aborto livre" se manifestaram neste sábado em Madri contra lei que reduz direito ao aborto
17:18 | Fev. 01, 2014
Autor O POVO
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Milhares de pessoas também protestaram contra um projeto de lei do governo que reduz drasticamente o direito ao aborto em países europeus, como França ou Grã-Bretanha, e também estavam previstas manifestações na Argentina e no Equador."Mãe livre!", "Que a mulher decida se quer ser mãe" ou apenas "Não" indicavam os cartazes exibidos pela multidão.

Os manifestantes, muitos deles com camisas na cor violeta, que se tornou a cor da "maré violeta" contra a reforma legislativa, também pediam a renúncia do ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón.
Presente na manifestação, a número dois do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Elena Valenciano, denunciou um texto "contra as mulheres, contra sua dignidade e sua liberdade".

Para o líder do Esquerda Unida, Cayo Lara, o projeto do governo só satisfaz "os setores mais fundamentalistas e integristas da hierarquia religiosa e os mais fanáticos do franquismo". A atual lei, aprovada pelo governo socialista anterior, autoriza o aborto livre nas primeiras 14 semanas de gravidez e até as 22 semanas, em caso de má formação do feto ou de perigo para a saúde física ou mental da mãe.

A reforma anula esses prazos e estabelece que a interrupção da gravidez será legal apenas em dois casos: estupro ou "grave perigo" para a saúde física ou mental da mãe. As manifestantes que conheceram o franquismo (1939-1975) denunciavam uma volta àquele período. "Eu viajei de avião para Londres há 35 anos, éramos como terroristas.

Não quero que isso volte a acontecer", disse Marisa Vallero, uma manifestante de 55 anos. "É uma vergonha, é uma reivindicação histórica para os direitos das mulheres". Em outras partes da Europa, milhares de pessoas participaram de manifestações em cidade como Paris e Londres para defender o direito "fundamental" ao aborto na Espanha.

Antes da manifestação deste sábado, o doutor Santiago Barambio, de 67 anos, diretor da clínica Tutor de Barcelona e um dos "pais" da lei de 2010, havia lembrado sua época de estudante sob o franquismo quando estava de plantão no hospital e via mulheres chegando com complicações causadas por abortos clandestinos.
"Vi mulheres morrendo e me disse que não permitiria isso, porque vi o drama dessas mulheres sangrando", disse o médico à AFP.

Aplaudida pela Igreja Católica espanhola, que a vê como um "avanço positivo", a reforma chegou inclusive a dividir o partido do governo, com vários integrantes se mostrando reticentes em relação ao texto legislativo em seu formato atual.

AFP

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