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Jogador de futebol americano universitário assume homossexualidade

Em entrevista Sam afirmou que a revelação já era de conhecimento de seus companheiros e técnicos na Universidade de Missouri

12:39 | 10/02/2014
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O jogador de futebol americano Michael Sam assumiu publicamente sua homossexualidade, colocando-o numa situação sem precedentes de talvez se tornar o primeiro atleta gay escolhido no Draft por uma equipe da Liga Nacional de Futebol Americano, a NFL.

Em entrevista ao programa da ESPN "Outside the Lines" e ao jornal The New York Times, Sam afirmou que a revelação já era de conhecimento de seus companheiros e técnicos na Universidade de Missouri.

"Eu não escondo que sou um um homem gay, com orgulho", revelou Sam, um defensive end de 24 anos, escolhido o melhor jogador de defesa do ano na Conferência Sudeste.

Sam estará disponível para o Draft da NFL em maio, quando os 32 times da liga profissional escolherão novos jogadores vindo do futebol americano universitário. Se for escolhido, ele se tornará o primeiro jogador assumidamente gay na história de uma liga conhecida por ser muito machista.

"Eu entendo a importância deste anúncio", disse à ESPN americana. "É importante. Nunca ninguém fez isso antes. É um momento de nervosismo, mas eu sei o que eu quero ser... Eu quero ser um jogador de futebol americano na NFL".

Sam, projetado para ser escolhido no meio da primeira rodada do Draft, explicou que decidiu revelar sua homossexualidade agora porque queria ter a oportunidade de contar a própria história.

"Estamos muito felizes por Michael ter decidido anunciar isto e estamos orgulhosos dele e da maneira como ele representa a Universidade", declarou Gary Pinkel, técnico da Universidade de Missouri, em comunicado.
"Ele mostrou para muita gente que não importa de onde você vem ou sua orientação pessoal, estamos todos no mesmo time e apoiamos uns aos outros", continuou.

A NFL também tornou publico seu apoio ao jogador.

"Admiramos a honestidade e coragem de Michael Sam", disse a Liga em comunicado. "Michael é um jogador de futebol americano. Todo jogador que tiver talento e determinação pode ser bem sucedido na NFL.

Estaremos prontos para dar as boas-vindas a Michael Sam em 2014".
Sarah Kate Ellis, líder da GLAAD, um grupo que luta pelos direitos de lésbicas, gays e bissexuais, ofereceu ajuda ao jogador, afirmando que "está mais que evidente que a América está pronta para uma estrela de futebol americano gay".

Nos bastidores, porém, existe apreensão.

"Eu acho que o futebol americano ainda não está pronto para ter um atleta assumidamente gay", disse à revista Sports Illustrated um assistente técnico da NFL, que preferiu não se identificar.

"Nas próximas décadas, isto se tornará mais aceitável, mas, por enquanto, ainda é um 'jogo de homem'. Xingar alguém de gay ainda é algo corriqueiro. Acredito que a presença de um atleta gay traria uma desequilíbrio químico a um vestiário da NFL", continuou.

Um veterano olheiro da NFL declarou à revista acreditar que o anúncio faria Sam despencar na lista de escolhidos do Draft, enquanto um assistente da NFL afirmou que o anúncio "não era inteligente, já que certamente afetará seu salário potencial".

Judd Legum, editor do site liberal Thinkprogress, ironizou as críticas pela rede social Twitter. "Esses executivos anônimos da NFL são realmente muito corajosos, criticando um atleta universitário que acaba de assumir sua homossexualidade", escreveu.

Outros indivíduos no Twitter lembraram que estas preocupações são idênticas às levantadas em 1947, quando Jackie Robinson se tornou o primeiro jogador negro de basebol a jogar na liga profissional americana.

Com a hostilidade que existe em relação aos homossexuais ainda sendo a norma no mundo do esporte, o americano Robbie Rogers, que se assumiu no ano passado, acreditava que tornar sua orientação sexual pública significaria o fim de sua carreira de jogador de futebol.

Rodgers, porém, se surpreendeu ao ser contratado pelo Los Angeles Galaxy, se tornando assim o primeiro atleta assumidamente gay da Major League Soccer.

O pivô de basquete Jason Collins também revelou, em abril do ano passado, sua homossexualidade, o que criou muita discussão nos Estados Unidos em função da grande visibilidade da Liga profissional, a NBA.

Collins, um veterano que jogou por seis times em 12 temporadas, até hoje não foi contratado por nenhuma outra equipe.

AFP

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