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Economia da Ucrânia está à beira do colapso

08:55 | 24/02/2014
Além da crise política, país também enfrenta uma grave situação econômica e diz que necessita de 35 bilhões de dólares. Europeus e americanos já acenam com ajuda. Se, para a crise política, a Ucrânia parece ter encontrado uma solução, a economia continua mal e cada vez mais próxima do fundo do poço. Na semana passada, a agência de notação de risco Standard & Poor's reduziu a classificação de crédito do país de CCC+ para CCC, apenas quatro níveis acima da nota D, que é atribuída quando um país não pode mais cumprir suas obrigações. Em outras palavras: a Ucrânia está à beira da inadimplência estatal. Desde o início do ano, a moeda ucraniana, a grívnia, desvalorizou-se mais de 10% em relação ao euro. As reservas cambiais estão minguando, com o agravante de que as dívidas estatais crescem rapidamente porque uma grande parte dos empréstimos foi contraída em moeda estrangeira. "Uma falência estatal é totalmente provável", avalia Theocharis Grigoriadis, professor convidado de economia no Instituto do Leste Europeu na Universidade Livre de Berlim. Isso só não aconteceu por causa dos bilhões em empréstimos que o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu ao ex-presidente Viktor Yanukovytch em dezembro de 2013. "Essa também é a lógica do presidente russo, para que a Ucrânia fique dependente da Rússia." Segundo Grigoriadis, a ameaça de falência estatal também seria um motivo para Yanukovytch ter rejeitado a assinatura do acordo de associação com a União Europeia (UE), em novembro de 2013. "Já havia na ocasião a ameaça de falência, e a Rússia era o único país que poderia oferecer uma solução em curto prazo", acresceu o economista. Também o especialista em Leste Europeu Tobias Baumann, da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK, na sigla em alemão), disse que a situação econômica é dramática. "A Ucrânia consegue cobrir menos de dois meses de importações, ou seja, durante seis semanas ainda é possível importar os bens necessários para garantir o abastecimento da população." O Ministério das Finanças da Ucrânia afirmou que o país necessita de empréstimos de 35 bilhões de dólares até o final do próximo ano para evitar o colapso econômico. Mercado importante A Ucrânia dispõe de um grande potencial econômico. Além de matérias-primas, como minério de ferro, magnésio, manganês, níquel e mercúrio, o país está entre os maiores exportadores de grãos do mundo. "A Ucrânia é um país com uma grande orientação agroeconômica", afirma Grigoriadis. Enquanto a agricultura predomina principalmente na região central e no oeste, no leste do país prevalecem a indústria pesada e a exploração de matérias-primas. Mas um grave problema é comum a todas essas regiões. "Falta à Ucrânia um ambiente altamente industrializado", diz Grigoriadis. Por esse motivo, as empresas estrangeiras teriam dificuldades em investir no país. Além disso, há também a corrupção generalizada e a insegurança jurídica. Boa parte da infraestrutura remonta aos tempos soviéticos. Mesmo assim, o país exerce um papel importante para empresas europeias, incluindo as alemãs. No total, 8% das importações ucranianas provêm da Alemanha, diz Baumann. "Estimamos que mais de 2 mil empresas alemãs estejam em atividade na Ucrânia." Principalmente devido aos baixos salários, o país é de grande interesse para as montadoras alemãs, afirma Baumann. "No oeste são pagos salários inferiores a 200 euros mensais." O país do Leste Europeu também é interessante como mercado consumidor, afirma o chefe do departamento Leste Europeu da DIHK. "No último ano foram exportados 5,5 bilhões de euros para a Ucrânia. Não se trata de uma soma pequena." Ambos os especialistas veem a comunidade internacional, como também a Alemanha, no dever de ajudar a Ucrânia. "Seria negligente não apoiar a Ucrânia. Não podemos nos permitir isso", comenta Baumann. Grigoriadis, por sua vez, vê na atual situação de emergência até mesmo uma grande oportunidade para a União Europeia. "A UE pode agora assegurar, no longo prazo, sua credibilidade na Ucrânia, de forma que as vozes pró-europeias possam ser fortalecidas no país." Em sua opinião, a UE, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, se possível, também a Rússia deveriam sentar-se à mesa de reuniões para desenvolver um plano para a Ucrânia. Sob o governo de Yanukovytch, os empréstimos ainda eram rejeitados, já que o FMI impunha reformas rigorosas como condição. No final de semana, tanto os europeus como os americanos asseguraram que vão ajudar economicamente a Ucrânia e se mostraram favoráveis a uma ajuda do FMI.

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