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Comissão indicia primeira-ministra da Tailândia; crise provoca 4 mortes

A NACC anunciou a convocação de Shinawatra em 27 de fevereiro para indiciá-la por negligência no caso de um polêmico programa de subsídios aos produtores de arroz

12:03 | 18/02/2014

A Comissão Anticorrupção (NACC) da Tailândia pretende indiciar a primeira-ministra Yingluck Shinawatra por uma suposta negligência, em meio a uma crise política que provocou quatro mortes nesta terça-feira, 18.

A NACC anunciou a convocação de Shinawatra em 27 de fevereiro para indiciá-la por negligência no caso de um polêmico programa de subsídios aos produtores de arros, por considerar que ela ignorou as advertências de que esta política resultaria em corrupção e perdas econômicas.

Os produtores de arroz, alguns sem receber há vários meses, se uniram recentemente às críticas ao programa, o que aumentou ainda mais a pressão sobre Yingluck, que enfrenta pedidos de renúncia há três meses.

O programa questionado pela comissão - que inclui a compra pelo governo de arroz com um valor 50% acima do preço de mercado - foi decisivo na ampla vitória eleitoral de Yingluck Shinawatra em 2011.

Nesta terça-feira, 18, uma operação da polícia para tentar recuperar alguns edifícios bloqueados por manifestantes há várias semanas, incluindo a sede do governo, provocou confrontos violentos.

Explosões e tiros sacudiram um bairro do centro histórico de Bangcoc, perto das principais atrações turísticas da capital.

De acordo com o centro de emergências de Erawan, quatro pessoas morreram, incluindo um policial, e 64 ficaram feridas.

A polícia informou que 24 agentes ficaram feridos nos confrontos.

Uma porta-voz do governo afirmou que a polícia não utilizou balas reais e sim balas de borracha.

Depois de forçar a passagem através das barricadas, a polícia encontrou uma dura resistência dos manifestantes e finalmente se retirou, enquanto alguns turistas fotografavam tudo.

Quase 150 manifestantes foram detidos sem opor resistência no complexo do ministério da Energia por violação do estado de emergência em vigor na capital, informou o comandante do Conselho de Segurança Nacional, Paradorn Pattanatabut.

Este foi o maior número de detenções desde o início dos protestos.

No início dos protestos, o governo tentava evitar os confrontos para limitar a violência, que já provocou 15 mortes e deixou centenas de feridos.

Mas na sexta-feira, 14, passou a adotar uma estratégia diferente, com a retirada do acampamento ao redor da sede presidencial, que a primeira-ministra Yingluck Shinawatra não consegue utilizar há dois meses.

Pouco depois da operação, no entanto, os militantes retornaram para reconstruir as barricadas.

Nesta terça-feira, a polícia deu um ultimato para a saída dos manifestantes, mas os ativistas responderam que tinham o direito de protestar contra o governo.

A operação não parece afetar os outros acampamentos instalados em diversos pontos importantes da capital desde janeiro, dentro do movimento estratégico de bloquear Bangcoc.

Os protestos, que viram o número de participantes cair consideravelmente nas últimas semanas, exigem há três meses a renúncia da primeira-ministra Yingluck Shinawatra e o fim da influência de seu irmão, Thaksin, que foi chefe de Governo até 2006, quando foi derrubado por um golpe de Estado.

O bilionário, acusado de governar o país do exílio com a ajuda da irmã, continua sendo o principal fator de divisão do país.
Desde o golpe de Estado de 2006, a Tailândia é cenário de reiteradas crises políticas, com manifestações sucessivas de partidários e inimigos de Thaksin.

As massas rurais e urbanas desfavorecidas do norte e nordeste são leais a Thaksin, enquanto as elites de Bangcoc o consideram uma ameaça para a monarquia.

As eleições legislativas antecipadas de 2 de fevereiro não conseguiram tirar o país da crise.

Os manifestantes, que desejam a substituição do governo por um "conselho do povo" não eleito, perturbaram as eleições, ainda sem resultados anunciados, à espera de outras duas novas jornadas de votação previstas para abril.

AFP

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