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Dedo de Steinbrück agita eleição alemã

13:33 | 13/09/2013
Foto do rival de Merkel com o dedo médio erguido, um gesto pouco tolerado no país, divide alemães e se mostra politicamente arriscada para um candidato marcado por gafes. Pesquisas sugerem disputa acirrada nas urnas. Se um gesto pode decidir uma eleição, como manchetou categórico o jornal conservador Die Welt em seu site, ainda não se sabe. Mas ele tem, sim, capacidade de movimentar uma campanha até então marcada pelo marasmo, e de dar lhe dar novo viço, a nove dias da ida às urnas. Nesta sexta-feira (13/09), o principal adversário da chanceler federal Angela Merkel nas eleições legislativas, Peer Steinbrück, do Partido Social Democrata (SPD), causou alvoroço ao aparecer com o dedo médio em riste na capa da revista de um dos jornais de maior tiragem do país, o Süddeutsche Zeitung. A foto é parte de uma seção da revista em que o entrevistado responde apenas com gestos. O dedo erguido foi a resposta do candidato à pergunta sobre se ele se importava com a série de apelidos que fora ganhando ao longo da campanha, como "Peerlusconi" ou "Peer-Problema". Polêmicas em série Por si só polêmica, a foto ganhou ainda mais relevância num país onde o gesto é pouco tolerado. Em 1994, o então astro do futebol Stefan Effenberg foi cortado da Copa do Mundo dos Estados Unidos, por exibir o dedo médio aos torcedores. Quem faz o mesmo no trânsito, pode pagar multa de até 4 mil euros. "Foi um risco calculado, ou só mais um, talvez decisivo, erro às vésperas das eleições?", questiona o jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung. O próprio Steinbrück autorizou a publicação da foto, apesar das insistentes advertências de seus assessores. O que ele não sabia, porém, é que ela estaria estampada na capa da revista. A decisão pode custar caro a um candidato que muitos acusam de não possuir o autocontrole necessário para ser chefe de governo. Sua campanha foi até aqui marcada por uma série de gafes. Desde finais do ano passado, o social-democrata causou polêmica, por exemplo, ao dizer que só consumia vinhos de mais de cinco euros e por reclamar que o salário de chanceler federal na Alemanha, de 220 mil euros anuais, era baixo demais. Também incomodou muitos ao atribuir a popularidade de Merkel a um "bônus feminino". A polêmica desencadeada nesta sexta-feira não demorou a ser politizada por seus adversários. Philipp Rösler, chefe do Partido Liberal Democrático (FDP) e provável parceiro de Merkel numa coalizão de governo, considerou o gesto "inadmissível" para um candidato ao governo. O ministro da Saúde Daniel Bahr, correligionário de Rösler, manifestou-se de forma parecida: "Isso não pode ser o estilo de um chanceler federal". "Qualquer um que faça tal coisa antes de uma eleição realmente não quer vencer", disse, por sua vez, o deputado Wolfgang Bosbach, do partido de Merkel, a União Democrata Cristã (CDU). Últimas sondagens A revista Der Spiegel fez uma enquete online sobre o tema. Dos cerca de 20 mil que responderam, quase a metade achou que Steinbrück demonstrou coragem. Outros 36% consideraram que o gesto impróprio a alguém que almeja à Chancelaria Federal. Em rápidas declarações paralelas a um comício em Munique, Steinbrück disse que o gesto não passava de "atuação teatral". "Espero que os alemães tenham senso de humor para entender essa expressão facial e esse sinal relacionado à pergunta da revista", completou. O dedo médio em riste de Steinbrück ilustra também as diferenças entre ele e Merkel, cujo hábito de falar com as duas mãos juntas na altura da cintura virou uma marca. E, juntamente com as últimas pesquisas de opinião, ajudou a movimentar a campanha. A mais recente sondagem publicada pelo canal público ZDF aponta uma vantagem cada vez mais precária para a coalizão de Merkel. Segundo a pesquisa, a CDU obteria 40%, o que, somado aos 6% do FDP, seriam suficientes para a formação de um governo, porém por margem apertada. A sondagem atribui ao SPD de Steinbrück 26%, que se somariam aos 11% dos verdes, com quem a aliança é certa. A Esquerda receberia 8% e, aliando-se ao bloco, poderia garantir um total de 45% dos votos. Mas o próprio líder dos social-democratas já deixou claro que não quer na coalizão os esquerdistas, em grande parte dissidentes de seu partido.

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