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Alta do dólar impacta aéreas e pode gerar mais demissões

17:03 | 08/08/2013
Em meio à queda do real e ao consequente encarecimento do combustível, companhias recorrem à redução no número de funcionários e voos para otimizar custos. Associação das principais empresas não descarta novos cortes. A aviação brasileira estava até recentemente num céu de brigadeiro. Aviões decolavam cheios, impulsionados pela economia aquecida e por uma nova classe emergente, que possibilitou a muitos brasileiros fazerem sua primeira viagem aérea. Mas desde o ano passado, as principais companhias do país TAM e Gol se veem numa turbulência que ameaça se intensificar. A TAM maior companhia nacional, com 39,75% do mercado nacional em junho anunciou recentemente a demissão de cerca de 800 pilotos e comissários de bordo. E a Gol segunda maior do país, com 36,04% de participação divulgou o corte de 200 voos semanais a partir de agosto, principalmente em rotas nacionais. Com isso, as empresas esperam aumentar a ocupação e otimizar custos. A turbulência se iniciou com a valorização do dólar, que subiu 10% no primeiro semestre em relação ao real, e o consequente encarecimento do querosene de aviação efeitos que causam grande impacto nos custos das empresas e a redução de oferta de passagens. Cerca de 55% dos custos operacionais da Gol, por exemplo, estão atrelados ao dólar, principalmente o combustível (cerca de 43%) e despesas com leasing de aviões e seguro. Na média internacional, o querosene de aviação responde por 33% dos custos. Esperamos que não haja mais demissões. Se o dólar ficar alto nesse patamar por um longo tempo ou se subir ainda mais, efetivamente poderão acontecer mais demissões. Isso depende de como a economia vai evoluir, afirma Adalberto Febeliano, da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade que representa TAM, Gol, Azul/Trip e Avianca. Neste momento estamos só acompanhando e controlando a oferta de assentos para retornar a rentabilidade de empresas. Concorrência predatória De 2002 a 2012, o número de passageiros em voos domésticos cresceu de forma consolidada, pulando de 29,3 milhões de pessoas para 84,2 milhões. Em 2013 aconteceu a primeira reviravolta e espera-se uma redução da taxa de crescimento até o fim do ano. A queda, segundo especialistas, tem ligação com a diminuição do poder aquisitivo da população devido à alta da inflação e ao endividamento das famílias brasileiras, além da falta de infraestrutura de aeroportos brasileiros. As empresas estão com dificuldades. A infraestrutura aeroportuária e uma regulamentação extremamente pesada têm impedido o crescimento delas, diz Elton Fernandes, pesquisador de transportes aéreos da Coppe/UFRJ. A classe emergente que teve acesso ao transporte aéreo reage agora com a desaceleração da economia. Os preços das passagens diminuíram 30,6% entre janeiro e maio na comparação anual ante uma redução de 7% nos quatro primeiros meses de 2012. Isso mostra que, mesmo em crise, as companhias aéreas brasileiras continuam fazendo esforço para lançar promoções e, assim, atrair passageiros. A política tarifária do serviço aéreo é suicida. Na ânsia de se manterem competitivas, as empresas foram reduzindo as tarifas. Mesmo com querosene alto, as passagens não subiram de preço, afirma Hildebrando Hoffmann, coordenador do curso de ciências aeronáuticas da PUC-RS. Os empresários não praticam o teto da tarifa e oferecem passagens, por exemplo, de Curitiba a Porto Alegre por 69 reais o que nem com ônibus, cujo custo de equipamento é irrisório em relação às empresas de aviação, pode ser feito. Reunião com governo federal A TAM e a Gol registraram prejuízo de 2,7 bilhões de reais em 2012 um crescimento de 148,6% em relação a 2011, quando, juntas, tiveram perdas de 1,08 bilhão de reais. Já no primeiro trimestre de 2013, a Gol teve prejuízo de 75 milhões e, em breve, as empresas vão divulgar o balanço do segundo trimestre de 2013. A previsão, de acordo o mercado, é de que pode demorar até que elas saiam do vermelho. Por isso, o governo federal agendou uma reunião com as quatro maiores empresas para o dia 20 de agosto. O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, pretende diagnosticar a situação das empresas e saber se há necessidade de implementar medidas para todo o setor ou para alguma empresa específica. As empresas, de acordo com a Abear, pretendem solicitar a revisão da política de preços da Petrobras que tem o monopólio da venda do querosene de aviação, e uma política unificada de impostos estaduais que incidem sobre o combustível. Não vamos pedir incentivos ao preço do combustível. Vamos conversar sobre outras eventuais medidas pontuais de apoio ao setor, mas não posso antecipar, cita Febeliano, da Abear.

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