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Venezuela abre festejos pelo 59º aniversário de Chávez

08:00 | 28/07/2013

CARACAS, Distrito Capital, 27 Jul 2013 (AFP) - Embora de luto, seguidores do falecido Hugo Chávez iniciaram neste sábado uma semana de festejos por seu 59o aniversário.

Já a outra metade da Venezuela se mantém indiferente, implacável com o homem que consideram responsável pela crise econômica e pela violência no país.

Com bailes, shows e serenatas, o governo e seus adeptos vão comemorar como se Chávez não tivesse morrido, há quase cinco meses. Seu herdeiro político e sucessor, o presidente Nicolás Maduro, irá de casa em casa, em algum bairro, para levar presentes e a mensagem do "comandante supremo".

Situado em uma colina do oeste de Caracas, o Quartel da Montanha é o lugar de culto para os que procuram seu túmulo para venerá-lo. "Eu ainda choro pelo meu presidente", disse à AFP Norelis Alvarez, uma enfermeira de 44 anos, no popular bairro 23 de Enero, principal bastião do chavismo.

A poucos metros, mantém-se uma pequena capela azul, de madeira e teto de lata, cheia de flores, velas e motivos religiosos. No altar, há um cartaz do "comandante eterno" e um busto de argila, sob um crucifixo.

"Aqui, vamos cortar seu bolo (de aniversário). Algumas pessoas dizem que eu estou louca, mas eu faço isso com amor. Não há outro como meu comandante", afirmou Elisabeth Torres, uma mulher humilde de 48 anos, que se diz, com orgulho, a protetora do improvisado templo "Santo Hugo Chávez".

Em Barinas (oeste), estado natal do falecido líder, também haverá comemorações, informou neste sábado o governador Adán Chávez, irmão do ex-presidente.

Muitos venezuelanos ainda não se recuperaram da ausência do homem que governou o país por 14 anos e faleceu em 5 de março, vítima de um câncer.

Alguns chavistas reconhecem que a situação está difícil e afirmam que Maduro está indo bem. Já outros se queixam muito do governo.

Os seguidores de Chávez o amam por ter-se ocupado dos pobres. Seus críticos culpam-no pelo que descrevem como um desastre: inflação de 25% no primeiro semestre - a maior da América Latina -, ciclos de escassez e escalada da violência. Em 2012, foram 16 mil assassinatos.

"Há uma Venzuela com Chávez e outra sem Chávez. As pessoas estão angustiadas com seus problemas básicos, apesar dos esforços do governo para manter o mito. Chávez é passado, morreu", disse à AFP o especialista Carlos Romero.

O líder da oposição Henrique Capriles, que sempre evitou ofender Chávez em público, pediu ao governo que deixem-no "descansar em paz".

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