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Morte de manifestante agrava tensão na Turquia

17:57 | 03/06/2013
Em seu quarto dia, onda de manifestações se espalha pelo país e já tem milhares de prisões e detenções. Alvo dos protestos, premiê responsabiliza "extremistas" e nega que "Primavera Turca" esteja tendo início. A polícia turca reprimiu com gás lacrimogêneo e canhões de água nesta segunda-feira (03/06) os protestos contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan em Istambul, que chegaram a seu quarto dia seguido agravados pela morte de um manifestante e pelos mais de 1.400 feridos. A instabilidade já se reflete na economia, e a Bolsa de Valores de Istambul fechou com queda superior a 10%, a maior em um único dia na última década. Os protestos surgiram de forma espontânea na última sexta-feira (31/05), após violenta repressão policial contra manifestantes que tentavam evitar o fechamento do parque Gezi, onde o governo tem a intenção de reconstruir um quartel militar histórico da época otomana que funcionaria como centro comercial. A violência policial acabou desencadeando protestos generalizados por todo o país contra o que os manifestantes veem como um autoritarismo do governo e, em especial, de Erdogan. A Praça Taksim e o parque Gezi estão ocupados por manifestantes desde sábado. Eles acusam o primeiro-ministro de impor medidas autoritárias como a lei seca e pedem sua renúncia. Erdogan minimizou os protestos contra seu governo, de base islamista e que enfrenta agora o maior desafio desde seu início, em 2002. Ele se recusou a falar em uma possível "Primavera Turca", termo que faz alusão à Primavera Árabe. O primeiro-ministro deixou o país para dar prosseguimento a sua agenda, ao realizar uma visita oficial ao Marrocos, afirmando manter-se "firme" contra os protestos. Em declaração no aeroporto de Istambul antes da viagem, Erdogan minimizou os protestos afirmando que teriam sido organizados por "elementos extremistas", e ressaltou que os serviços de inteligência do país investigam a influência de forças estrangeiras. Presidente pede calma O presidente Abdullah Gül adotou uma postura mais cautelosa e fez um apelo à população para que mantenha a calma. "A democracia não significa apenas eleições", afirmou Gül, acrescentando que opiniões divergentes podem ser expressadas, mas deve haver respeito mútuo: "Vivemos em uma sociedade aberta." A Associação de Médicos da Turquia denunciou a morte de um jovem de 20 anos, Mehmet Ayvalitas, quando um automóvel atingiu a multidão, ignorando os avisos dos manifestantes. Grupos de direitos humanos denunciaram que os choques com a polícia deixaram mais de 2.300 feridos nos quatro dias de protestos. Apenas em Istambul, o número de feridos já ultrapassa os 1.400. Na capital Ancara e na cidade de Izmir, o total gira em torno de 800. Já as estimativas do governo no domingo falavam em 58 civis e 115 membros das forças de segurança feridos, com manifestações registradas em 67 cidades. Mais de 1.700 prisões teriam sido efetuadas pelo país. Em Washington, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que os EUA acompanham de perto os distúrbios na Turquia. Erdogan visitou recentemente a Casa Branca. "Estamos preocupados com uso excessivo da força policial", afirmou. Kerry, que pediu ainda moderação à polícia e clamou os dois lados a evitarem atos que possam provocar violência.

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