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Justiça francesa acusa banco suíço UBS de práticas ilegais

O banco também é considerado testemunha em investigações de lavagem de dinheiro e fraude fiscal, estando sob controle da justiça com uma fiança de 2,875 bilhões de euros

17:33 | 07/06/2013

PARIS, 07 Jun 2013 (AFP) - A justiça francesa acusou o banco suíço UBS de práticas ilegais. A suspeita é de que a instituição financeira montou um sistema destinado a convencer franceses ricos a abrirem contas não declaradas na Suíça no começo dos anos 2000, informaram fontes judiciais nesta sexta-feira, 7.

A acusação ao maior banco suíço ocorre dois dias depois de a sua filial francesa ter sido acusada por "cumplicidade em transações ilegais".

O banco também é considerado testemunha em investigações de lavagem de dinheiro e fraude fiscal, estando sob controle da justiça com uma fiança de 2,875 bilhões de euros, afirmaram as fontes.

A justiça francesa suspeita que o UBS permitiu a seus representantes suíços captar clientes na França, violando a legislação vigente. Além disso, o banco teria realizado uma dupla contabilidade para ocultar movimentos de capitais entre a França e a Suíça.

Um ex-diretor geral do UBS França, Patrick de Fayet, um ex-diretor do escritório do UBS em Lille (no norte do país), e um funcionário do UBS em Estrasburgo já foram acusados. Denúncias de ex-empregados do banco permitiram as investigações.

A AFP teve acesso a uma mensagem anônima enviada à autoridade responsável pela área, a ACP, que menciona a existência, entre 2002 e 2007, de um sistema destinado a registrar a abertura de contas não declaradas na Suíça, realizadas por representantes do banco.

Estas contas estavam registradas em cadernos ou em tabelas do Excel.

Na mensagem, está descrito o suposto papel desses representantes na Suíça e na França, assim como a função dos gerentes do UBS na França nesta dupla contabilidade.

De acordo com a nota, o sistema não deixava rastros no sistema oficial do banco, embora permitisse calcular a premiação que os funcionários do banco deveriam receber no final do ano.

Os juízes ordenaram, pela acusação da UBS França, a nomeação de um administrador para verificar se esses negócios foram informados e as condições em que os bônus foram concedidos.

Outra nota insiste que a filial francesa da UBS, criada em 1999, sempre teve números negativos em seus exercícios contábeis, com exceção do exercício 2006, que registrou lucro de milhares de euros.

Rica clientela A acusação do banco suíço destaca as suspeitas que pesam sobre o papel dos representantes comerciais suíços em solo francês. Eles teriam ido à França para captar uma clientela rica, principalmente industriais, pessoas ligadas a espetáculos e desportistas.

Os contatos eram feitos em particular durante acontecimentos esportivos (como torneios de golfe, de tênis em Roland-Garros) ou shows.

Os e-mails de um representante suíço, consultados pela AFP, mostram uma "proposta de investimento" a um cliente francês e propõe um encontro na França ou na Suíça.

A resposta do UBS foi imediata, comunicando que pretende "continuar cooperando com as autoridades na França em conformidade com o marco jurídico em vigor para encontrar uma solução", segundo um comunicado do banco.

"O UBS não tolera nenhuma atividade para ajudar os clientes a se esquivar de suas obrigações fiscais", segundo o comunicado do banco.

Além da sede e da filial francesa, foram acusados um ex-diretor geral da UBS França, Patrick de Fayet, um ex-diretor do escritório da UBS em Lille (norte) e um funcionário da UBS em Estrasburgo.

A investigação sobre as práticas do banco suíço na França começou em abril de 2012. A acusação era de "marketing bancário ou financeiro por pessoa desabilitada e fraude fiscal e de fundos obtidos com ajuda de transações ilegais, crimes realizados por grupo organizado".

Os juízes responsáveis pela investigação enviaram à receita federal francesa uma lista de 353 nomes de pessoas suspeitas de terem aberto contas na Suíça neste esquema.

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