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Terremoto de L'Aquila que matou mais de 300 'não era imprevisível'

15:35 | 16/05/2013

ROMA, 16 Mai 2013 (AFP) - O terremoto de L'Aquila, no centro da Itália, que deixou 309 mortos em abril de 2009, "não era imprevisível", assegurou um juiz nas considerações de uma condenação proferida há três meses.

O tremor "não era realmente imprevisível", afirmou o juiz Giuseppe Grieco, "já que ocorreu no período de retorno, ou seja, o intervalo de tempo de repetição dos acontecimentos deste tipo, previsto para a região de L'Aquila", segundo a imprensa.

Este período de retorno ou a duração média entre dois acontecimentos de magnitude similar, "foi definida como de uns 325 anos a partir do ano 1000", prosseguiu o juiz.

O magistrado se refere a isso nas considerações da condenação em fevereiro de quatro pessoas pelo desmoronamento da Casa dos Estudantes, que causou a morte de oito jovens.

Este processo ocorreu depois de outro, de maior impacto, que terminou em outubro de 2012 com a condenação a seis anos de prisão de sete cientistas membros da comissão de grandes riscos.

Menos de uma semana depois de uma reunião desta comissão em L'Aquila, que havia emitido mensagens tranquilizadoras para a população, um terremoto de 6,3 destruiu a cidade medieval e as cidades vizinhas, deixando 309 mortos e provocando o desabamento de vários edifícios.

O sismólogo Enzo Boschi, que integrava esta comissão, reagiu esta quinta-feira às considerações do juiz Grieco, afirmando que os terremotos são "imprevisíveis".

"Os sismos até agora nunca tinham sido previstos por ninguém. Segundo o estado atual dos nossos conhecimentos, não se pode prever os sismos. O que se pode fazer, e é o que fazem os países mais desenvolvidos, é tornar os edifícios mais seguros para reduzir os danos", afirmou Boschi.

A condenação da comissão gerou uma grande emoção na comunidade científica, que não compreende como pode ser responsabilizada por este tipo de catástrofe natural.

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