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Saiba quem foram os dez últimos Papas e conheça seus legados

19:14 | 13/03/2013

CIDADE DO VATICANO, 13 Mar 2013 (AFP) - Os dez últimos Papas, antes da eleição nesta quarta-feira de Francisco I, marcaram a história cada um a sua maneira. Veja um resumo dos fatos marcantes de seus pontificados:

Leão XIII (Vincenzo Gioacchino Pecci, fevereiro 1878/julho de 1903) - Este Papa humanista que escrevia poemas em latim, ficou conhecido por sua grande encíclica social "Rerum Novarum", na qual abordou concretamente a questão operária, recomendando a colaboração entre o capital e o trabalho e as associações de trabalhadores, fazendo uma série de propostas. Criticou o liberalismo, mas rejeitou o socialismo e a luta de classes. Foi o Papa que dissolveu os Estados Pontifícios em 1900. Morreu aos 93 anos.

Pio X (Giuseppe Melchiorre Sarto, agosto de 1903/agosto de 1914) - Canonizado por Pio XII em 1954 por sua piedade, proximidade com os fiéis e linguagem simples. Ex-vigário de uma paróquia modesta, não era intelectual, mas muito conservador. Condenou as teses modernistas dentro da Igreja em sua encíclica "Pascendi". Deu início à reforma do código do Direito Canônico (concluída por seu sucessor) e da Cúria Romana, e assumiu uma forte posição contra a escravidão. Se opôs à lei de separação da Igreja e do Estado francês em 1905.

Bento XV (Giacomo della Chiesa, setembro de 1914/janeiro de 1922) - De uma família aristocrata, tentou apaziguar a "crise modernista" na Igreja. Obteve alguma simpatia popular ao canonizar Joana d'Arc. Não era bem visto por franceses e alemães, por ter trabalhado incansavelmente para acabar com a carnificina da Primeira Guerra Mundial, propondo um sistema de arbitragem no conflito e se opondo ao sistema de reparação. Bento XVI escolheu seu nome em homenagem à memória deste Papa da paz.

Pio XI (Achille Ratti, fevereiro 1922/fevereiro 1939) - Resolveu a velha "questão romana". Foi sob o seu reinado que nasceu o Estado do Vaticano, em ocasião da assinatura do acordo de Latrão com Mussolini em 1929. Alpinista, solitário, sério, original, se interessava muito pela questão missionária. Publicou em 1937 a encíclica "Mit brennender Sorge" condenado o nazismo. Também condenou o antissemitismo. Se afastou do Vaticano quando Hitler foi visitar seu aliado Mussolini em Roma. No momento de sua morte, havia preparado outra encíclica condenando o nazismo.

Pio XII (Eugenio Pacelli, março de 1939/outubro de 1958) - Aristocrata e diplomata de carreira, serviu a Santa Sé em Munique e em Berlim. Braço direito de Pio XI, foi acusado por historiadores e pela comunidade judaica de permanecer em silêncio frente ao Holocausto nazista. Foi com este Papa que o processo de internacionalização da Cúria se acelerou.

João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli, outubro 1958/junho 1963) - De família modesta, ex-delegado apostólico na Turquia e núncio na França (de 1944 até 1953), se transformou no homem da abertura da Igreja ao mundo, que lançou o Concílio Vaticano II em 1962, preocupando a Cúria, até então muito conservadora. Publicou a famosa encíclica "Pacem in terris" pouco antes de sua morte. Apelidado na Itália "il papa buono", foi muito popular por seu bom-humor.

Paulo VI (Giovanni Battista Montini, junho de 1963/agosto de 1978) - Após uma longa carreira diplomática, durante a qual foi ao mesmo tempo braço direito de Pio XII, foi eleito em pleno Concílio Vaticano II. Viveu um período difícil da contestação dos ensinamentos da Igreja. Homem ansioso, escrupuloso, considerado hesitante, foi muito atento à evolução do mundo moderno, impulsionando o empenho internacional da Santa Sé para a justiça e a paz. Criticado por sua encíclica "Humanae Vitae" (1968), que disse não à contracepção, foi muitas vezes incompreendido até o final de seu pontificado.

João Paulo I (Albino Luciani, agosto 1978/setembro de 1978) - Patriarca de Veneza, teve um dos mais curtos reinados da história papal: 33 dias. Conseguiu imprimir um estilo mais direto em sua maneira de ser Papa, mas foi isolado na Cúria Romana em razão de sua simplicidade e contestação. De saúde frágil, morreu prematuramente de causas ainda não esclarecidas.

João Paulo II (Karol Jozef Wojtyla, outubro 1978/abril 2005) - Primeiro Papa polonês da história. Conservador em sua doutrina, mas um verdadeiro comunicador. Se opôs ao comunismo na Polônia e em todo o bloco soviético, mas também ao capitalismo. Foi gravemente ferido em um ataque em 1981 na Praça São Pedro. Carismático e enérgico, ele viajou durante seu pontificado para mais de cem países, e gozou de uma popularidade sem precedentes, especialmente entre os jovens, criando para eles a "Jornada Mundial da Juventude". Escreveu muitas encíclicas sobre questões sociais.

Bento XVI (Joseph Aloisius Ratzinger, abril 2005/fevereiro 2013) - Vindo de uma família modesta da Baviera, importante teólogo reformista durante o Concílio Vaticano II, foi por mais de 20 anos o guardião do dogma de João Paulo II. Tornou-se Papa aos 78 anos e continuou o trabalho de seu antecessor, insistindo em uma purificação da Igreja. Seu pontificado foi marcado por vários escândalos - particularmente pela revelação dos casos de pedofilia nos Estados Unidos para a Irlanda - e falhas de comunicação diversas. Foi o primeiro Papa em 700 anos a renunciar devido à falta de forças.

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