PUBLICIDADE
Notícias

O ganês Peter Turkson, artífice da paz e papábile polêmico

Seus admiradores afirmam que Turkson é um progressista, e lembram seu papel de mediador nas eleições presidenciais ganesas de 2008

11:31 | 11/03/2013
O cardeal ganês Peter Turkson, um dos dois africanos mais cotados como o possível sucessor do papa Bento XVI, é considerado um artífice da paz em seu país, mas sua aura de homem de diálogo foi manchada por suas recentes críticas aos muçulmanos.

Turkson, um homem de cabelo grisalho de 64 anos que fala alemão, inglês, francês, italiano, hebraico e fante, uma das línguas de Gana, é arcebispo da cidade de Cape Coast há 17 anos, onde convenceu muitos jovens a estudarem latim com seu lema favorito: "Vivere Christus est" ('Meu Viver é Cristo").

Seus admiradores afirmam que Turkson, presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, é um progressista, e lembram seu papel de mediador nas eleições presidenciais ganesas de 2008.

Mas sua decisão de apresentar, em um sínodo celebrado em outubro pelo Vaticano, um vídeo no qual afirma que os muçulmanos dominarão a Europa, pode comprometer suas oportunidades de se converter no próximo chefe da Igreja Católica, de quem muitos esperam uma posição moderada na complexa questão do diálogo entre religiões.

O vídeo que Turskon mostrou aos bispos, intitulado "Muslim demographics" ("Demografia dos muçulmanos"), circula há quatro anos pela internet e explica através de gráficos e números que a alta taxa de natalidade dos muçulmanos levará ao domínio do Islã na Europa.

Após a polêmica, o cardeal ganês pediu desculpas e afirmou que não queria criticar o Islã, e sim denunciar a "baixa natalidade (no Ocidente) e algumas políticas de planejamento familiar".

Apesar da controvérsia, Joseph Ernest Arthur, o administrador da Catedral de São Francisco de Sales de Cape Coast, na qual Turkson foi primeiro sacerdote e depois arcebispo, afirma que sempre foi um homem aberto à comunidade muçulmana, que em Gana conta com quase 4 milhões de fiéis.

Como na vez em que enviou um sacerdote para estudar o Islã. "Isto demonstra até que ponto está interessado na religião muçulmana", explica Arthur.

Padre carpinteiro
O cardeal Turkson, o quarto de uma família de dez irmãos, nasceu em um povoado de Wassaw Nsuta, no leste de Gana, onde seu pai era carpinteiro e sua mãe vendia verduras, contou em uma entrevista recente a uma televisão francesa.

Aos 13 anos viu um anúncio em uma igreja onde buscavam um sacerdote e assim nasceu sua vocação. Seu pai reuniu toda a família e pediu ao menino que escolhesse entre o ensino médio e o seminário.

"A cada vez que conto esta história, me dizem que era muito jovem para escolher", explicou o cardeal na entrevista à televisão. "Mas, para mim, a resposta é muito simples: se tivesse esperado para viver mais experiências para decidir se me comprometeria com o celibato, nunca teria tomado uma decisão como esta", admite.

O arcebispo de Acra, a capital de Gana, Charles Palmer-Buckle, companheiro de Turkson no seminário, lembra dele como um líder natural e uma pessoa muito acessível, que passava muitas horas estudando as escrituras e tocando violão.

Depois de passar por seminários em Gana e Estados Unidos, Turkson estudou em Roma e em 1992 foi nomeado arcebispo de Cape Coast até 2009, quando se tornou cardeal.

Segundo o arcebispo Palmer-Buckle, o cardeal Turkson sempre foi considerado o líder da Igreja em Gana e durante seu período como arcebispo conseguiu melhorar o diálogo entre o governo e os três milhões de católicos, uma minoria em um país de 24 milhões de habitantes.

Embora tenha a imagem de progressista, é muito provável que, caso se torne Papa, siga a linha atual da igreja em temas como a rejeição ao uso de preservativo. No entanto, nesta questão o cardeal ganês já se mostrou favorável ao seu uso no caso de casais em que um dos membros é portador do vírus da Aids.
AFP

TAGS