PUBLICIDADE
Notícias

Vizinhos da Síria temem que guerra civil ultrapasse fronteiras

11:39 | 10/01/2013
Enquanto a Turquia recebe mísseis da Otan para se proteger, outros países da região sentem consequências da guera civil síria e receiam que o conflito piore e se alastre para seus territórios. Mísseis Patriot alemães e de outros países integrantes da Otan devem proteger a Turquia de possíveis ataques de mísseis vindos da Síria. O transporte dos equipamentos bélicos começou nesta terça-feira (08/01). Além da Turquia, a Síria compartilha fronteiras com Iraque, Jordânia, Líbano e Israel, vizinhos que temem um alastramento da guerra civil. Israel anunciou que instalará, nas Colinas de Golã, território sírio ocupado em 1967 pelo Estado israelense, uma cerca para proteger o país da infiltração de combatentes inimigos. O cientista político Mehmet Akif Okur, pesquisador do Instituto Estratégico de Ancara, considera que, com ataques, o presidente sírio, Bashar al-Assad, seria capaz de levar a guerra civil deliberadamente para além de suas fronteiras. O acirramento da situação seria uma tentativa de o regime Assad se manter no poder por mais tempo. Mas mesmo sem esses ataques direcionados, a situação dos cinco países vizinhos é crítica. "Uma piora do conflito é uma ameaça real para todos os vizinhos da Síria", avalia Okur em entrevista à DW. Segundo o cientista político, muitos sunitas iraquianos estão intimamente ligados ou têm parentesco com os rebeldes na Síria. O Líbano está tão vinculado ao seu maior vizinho que qualquer acontecimento na Síria pode atingi-lo imediatamente, diz Okur. Síria interfere no Líbano Damasco tem influência sobre a política libanesa. O governo de coalizão em Beirute é, em grande parte, pró-Síria. No entanto, vários grupos políticos querem limitar a influência do vizinho. Na cidade portuária libanesa de Trípoli, forças a favor e contra o regime sírio travaram combates mais de uma vez. A guerra civil também já atingiu a Turquia. Mais de 150 mil refugiados sírios fugiram para a o país vizinho. Diversas vezes explosivos vindos da Síria caíram do outro lado da fronteira. Na aldeia fronteiriça Akcakale, cinco turcos foram mortos por bombardeios em outubro. A partir de fevereiro, foguetes lançados da Síria deverão ser interceptados pelos mísseis Patriot da Otan. A missão é estritamente defensiva, já que os mísseis não têm alcance necessário para atingir o território sírio a partir de sua futura localização, na cidade turca de Kahramanmaras. Símbolos de solidariedade Okur não está certo de que os mísseis Patriot vão garantir proteção total contra a violência na Síria. "Mas eles são importantes como um símbolo", avalia o especialista turco, falando em uma mensagem de solidariedade. "Mostram que a Otan protege a Turquia contra ameaças em suas fronteiras", diz o pesquisador. Logo após o ataque a Akcakale, o Parlamento turco deu permissão para que o governo de Ancara invada a Síria em caso de emergência. Okur considera que tal intervenção é improvável no momento e que a Turquia não atenderá a um pedido dos rebeldes sírios por uma invasão. "Mas se Assad usasse armas químicas contra a população, tudo mudaria", pondera. Prejuízos econômicos na Jordânia Outro vizinho que já sofre com a guerra civil síria é a Jordânia, que recebeu 200 mil refugiados vindos do norte. Além disso, a economia do país foi severamente atingida, diz o cientista político Hasan al-Momani, da Universidade da Jordânia. "Antes da guerra, todas as exportações significativas para a Europa eram feitas através da Síria", relata. Para o pesquisador, o pior que poderia acontecer seria um acirramento das batalhas e um colapso das estruturas estatais na Síria. "Haveria uma escalada de violência com um enorme impacto sobre a Jordânia", afirma. No final, a Síria poderia se tornar uma segunda Somália, com consequências incalculáveis para toda a região, diz Momani. Diferente do Líbano, na Jordânia não há combates entre partidários e opositores do regime de Assad. "No entanto, tivemos alguma troca de tiros e ataques. Alguns soldados jordanianos foram feridos", conta o cientista político. Autor: Andreas Gorzewsk (md) Revisão: Luisa Frey

TAGS