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Vítimas de abusos do apresentador de TV inglesa tinham entre 8 e 47 anos

12:03 | 11/01/2013
AFP
AFP

Um relatório investigativo revelou uma lista com os abusos sexuais que permaneceram impunes por mais de 50 anos cometidos pelo apresentador da BBC, Jimmy Savile, contra suas vítimas, com idade entre 8 e 47 anos, enquanto a Justiça faz sua mea culpa.

Jimmy Savile, que morreu em 2011 aos 84 anos, foi um "predador sexual" que usou seu status de celebridade para cometer 214 "atos criminosos", incluindo 34 estupros, entre 1955 e 2009, indica o relatório da polícia e do serviço de proteção à criança, após uma investigação de três meses sobre este escândalo.

Estrela excêntrica dos anos 1970-80, que apresentou um programa infantil e estava envolvido em muitas obras de caridade, agia em sua cidade natal, Leeds, e em Londres nas instalações da BBC, em escolas, 13 hospitais e uma casa para os jovens, de acordo com o relatório.

A vítima mais jovem conhecida foi um menino de oito anos de idade na época, mas mais de 80% das vítimas eram meninas e mulheres, a maioria com idade entre 13 e 16 anos.

Foram praticados principalmente "agressões sexuais, quando a oportunidade se apresentava", mas alguns atos eram "planejados", de acordo com o documento.
A impunidade beneficiada por Jimmy Savile durante toda a sua vida resultou em um pedido de desculpas do Ministério Público, que nesta sexta-feira divulgou um relatório sobre os motivos que levaram à decisão de arquivar o processo em 2009, apesar das queixas recebidas pela polícia de Surrey (sul).

"Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para pedir desculpas pelo fracasso da Promotoria", declarou o diretor do Ministério Público (DPP), Keir Starmer, afirmando que espera que o caso "marque um ponto de viragem".

Alison Levitt, conselheiro judicial do DPP, considerou que "se a polícia tivesse adotado uma abordagem diferente, as acusações poderiam ter sido levadas adiante, pelo menos no caso de três vítimas". Ele afirmou ainda que as queixas foram tratadas "com uma advertência que era não justificada nem apropriada".

Para Peter Watt, o diretor da agência britânica de proteção à criança, co-autor do relatório, a extensão do abuso vai "além da compreensão", qualificando Savile como "um dos predadores sexuais mais ativos que já conheci".

"Está claro que Savile maliciosamente construiu toda a sua vida profissional, a fim de ter acesso a crianças indefesas para cometer seus abusos", disse.

"Ele se escondeu atrás de um véu de excentricidade, jogando a carta do blefe para aqueles que o questionavam", continuou Peter Watt, referindo-se aos rumores que circulavam sobre a vida e moral de Jimmy Savile.

"Ele não pode ser levado à justiça hoje, mas esperamos que este relatório leve algum conforto para as centenas de vítimas que já foram ouvidas e levadas a sério", declarou o oficial de polícia encarregado da investigação, Peter Eixo, da Scotland Yard. "Temos de usar esses eventos chocantes para evitar que outras crianças e outros adultos vulneráveis sejam vítimas de abusos", acrescentou.

As acusações contra Jimmy Savile, reveladas em outubro passado pelo canal ITV, provocou uma crise interna na BBC, que foi acusada de tentar abafar o caso e que, posteriormente, teve sua situação agravada com a falsa acusação de um político conservador da era Thatcher. Eventos que levaram à renúncia do seu CEO, George Entwistle.

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, a BBC expressou "consternação" sobre os crimes cometidos em suas instalações, e reiterou suas "sinceras desculpas às vítimas."

 

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