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Protestos e boicotes ofuscam eleições na Jordânia

14:09 | 22/01/2013
Enquanto o rei promete reformas, população perde as esperanças nos políticos. Acusações de corrupção e convocação de boicote pela oposição precedem as eleições parlamentares. Cartazes eleitorais gigantes estão espalhados por toda a cidade de Amã, a capital da Jordânia. A população vai às urnas eleger um novo Parlamento nesta quarta-feira (23/01). Mas muitos pensam como Amal Kalaji, que não acredita mais nas promessas dos políticos. "São sempre os mesmos nomes e rostos", critica a secretária. "Enquanto eles estiverem no poder, nada vai mudar. São sempre os mesmos slogans. Eles são reeleitos e não fazem nada." Por isso ela diz que não pretende votar. O engenheiro Taufiq Abu Ischir, que se formou na Alemanha, também não espera muito das eleições. "Ativistas que participaram de manifestações pró-reformas agora boicotam as eleições. Teoricamente os parlamentares devem obter mais poder, e o rei, menos. Mas provavelmente tudo vai continuar na mesma", diz. Parlamento com poucos poderes O rei Abdullah prometera recentemente abrir mão de parte de seu poder e dar mais direitos ao Parlamento. Mas há muito não é segredo que vários candidatos são ligados ao monarca. O rei também conseguiu evitar que o primeiro-ministro seja eleito pelo povo, como exigia a oposição. Pelo menos ele concordou que o Parlamento designe o premiê, assim como os ministros. Ambas as escolhas eram, até agora, da competência exclusiva do rei. O maior partido do país, a Frente de Ação Islâmica (FAI), convocou um boicote para as eleições desta quarta-feira. Mas não só os islamistas criticam a eleição. Nacionalistas árabes de origem palestina, assim como alguns clãs jordanianos tradicionalmente fiéis à família real, qualificam a lei eleitoral de "injusta". A FAI critica que, mesmo na sua versão modificada, a lei discrimina certos grupos e partidos e dá preferência aos aliados do rei. O partido acusa empresários monarquistas ricos de comprar lugares nas legendas. Se a FAI participasse da eleição, poderia obter até 30% dos votos, de acordo com as últimas pesquisas, o que traria agitação não só ao Parlamento. Manobra eleitoral Nas ruas de Amã são recorrentes manifestações após as orações do meio-dia, nas sextas-feiras. Cidadãos vão às ruas para protestar contra os crescentes preços de energia. Os preços do gás e do petróleo dobraram nos últimos meses. Agora os subsídios para água e eletricidade também devem ser cortados. Tudo está ficando mais caro, num país onde a renda média da população equivale a pouco mais de 1.000 reais. Em meio à campanha eleitoral, o preço da gasolina, após um período de forte alta, baixou de uma hora para outra, passando a custar menos que um dinar jordaniano, o equivalente a 3 reais. A população está consciente de que o preço voltará a subir depois das eleições. Por isso, a manobra do rei provavelmente não irá impedir que o comparecimento às urnas seja baixo. Especialistas preveem uma cota de participação de 30% a 40%, no máximo. Mesmo que o engenheiro Ischir tenha decidido não votar, ele não pretende desistir da luta política por uma sociedade melhor. Ele pensa em seus quatro filhos e nutre esperanças para o futuro. "Um sistema livre de corrupção, em que reinam a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa e em que há empregos e vagas em universidades para todos. Tudo isso são coisas que não temos." Autor: Michael Borgers (md) Revisão: Luisa Frey

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