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Protestos dominam Egito no 2º aniversário da revolução

18:41 | 25/01/2013
Manifestantes contrários ao governo do Egito se reuniram nesta sexta-feira na Praça Tahrir, no Cairo, para marcar o segundo aniversário da revolta que culminou com o fim do regime autocrático do ex-presidente Hosni Mubarak. Milhares de pessoas participaram de protestos na capital e em outras cidades do Egito, em uma tentativa de pressionar o governo islamita.

A polícia entrou em confronto com os manifestantes e os serviços de emergência do Egito afirmam que 110 pessoas foram feridas durante os protestos. Os confrontos ocorreram durante todo o dia no Cairo, Alexandria, Suez e Ismaília, com a polícia lançando gás lacrimogêneo e os manifestantes revidando com pedras. Em Ismaília, um escritório de Irmandade Muçulmana foi incendiado.

Em Alexandria, segunda maior cidade do país, os confrontos provocaram uma forte nuvem negra na região. "A fumaça é preta e há muito gás. As pessoas estão deitadas no chão porque não conseguem respirar", disse um dos manifestantes. Os conflitos ocorreram também na cidade de Suez, após os manifestantes tentarem invadir a sede da prefeitura, antes de serem contidos pela polícia, que atirou gás lacrimogêneo, segundo testemunhas.

No Cairo, as forças da polícia foram enviadas para proteger o Ministério da Informação, que também é a sede do canal de televisão e da rádio estatais. Os manifestantes brevemente bloquearam o tráfego nos arredores do prédio.

Liderados principalmente por liberais e secularistas, os manifestantes usaram a data para mostrar força, em uma tentativa de pressionar o atual presidente, Mohammed Morsi, a fazer uma emenda à Constituição elaborada por seus aliados islamitas. No protesto também foi exigida liberdade de expressão e a independência do Poder Judiciário.

Partidários da Irmandade Muçulmana, partido de Morsi, e outros grupos islamitas ficaram fora das ruas para evitar confrontos. Os protestos desta sexta-feira ocorreram um dia depois de manifestações da oposição terminarem em confronto com a polícia perto da Praça Tahrir, deixando feridos.

A partir da revolta que começou em 25 de janeiro de 2011 e levou à queda de Mubarak, o país caminhou para conflitos e divisões entre os islamitas no poder, que dizem que a série de vitórias que tiveram no ano passado dão a eles o direito de reformar o Egito, e a oposição, que afirma que os islamitas estão no caminho de tomar todo o poder.

"Eu estou pedindo a todos para saírem às ruas e protestarem, para mostrar que a revolução precisa ser concluída e que a revolução precisa continuar", disse o líder oposicionista Mohamed ElBaradei, em um vídeo divulgado no website do seu partido. "É preciso que haja uma Constituição para todos os egípcios. Uma Constituição na qual cada um de nós se veja", acrescentou ele, que já recebeu o prêmio Nobel da Paz e chefiou a agência de energia nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em meio aos protestos está uma economia em queda livre que ameaça reforçar ainda mais o descontentamento público. O setor de turismo, vital para o país, está em dificuldade, os investimentos diminuíram e os preços estão subindo. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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