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Jornalistas perdem a paciência com censura na China

17:43 | 08/01/2013
O controle estatal é parte do cotidiano da imprensa na China. Mas o chefe da Propaganda na província de Cantão parece ter ido longe demais. Ele reescreveu artigos de um renomado semanário e desencadeou onda de protestos. Lidar com a censura faz parte do trabalho diário dos editores chineses. Mas agora o chefe do Departamento de Propaganda na província de Cantão, no sul do país, parece ter ido longe demais até para os jornalistas chineses. Sem consultar os autores e editores, Tuo Zhen reescreveu partes essenciais da edição de Ano Novo do renomado semanário Nanfang Zhoumo (Semanário do Sul). Em parte, com distorções e erros. Os editores não reconhecem mais seu próprio jornal. Desta vez, eles resolveram não baixar a cabeça e tornar pública nas redes sociais a manipulação de seu jornal. Seguiram-se diversas cartas abertas de jornalistas e intelectuais defendendo a liberdade de expressão e exigindo a demissão de Tuo, que assumiu o cargo no início de 2012. Nesta segunda-feira (07/01), os chineses surpreenderam. Cerca de mil manifestantes se reuniram diante do prédio do semanário para apoiar os editores da publicação. Também nesta terça-feira os protestos continuaram em frente ao prédio da redação. Dezenas de policiais foram enviados à capital da província, Guangzhou, mas não interferiram. Chamada de cima Na China, o Semanário do Sul é pioneiro no jornalismo investigativo e tem a reputação de ser uma publicação relativamente independente. Todos os artigos da edição de 3 de janeiro de 2013 já haviam recebido o aval das autoridades, porém como consta numa das cartas abertas pouco antes da impressão do semanário, o editor-chefe Huang Can recebeu um telefonema da autoridade de Propaganda da província de Cantão. O teor da chamada telefônica: as vozes críticas da próxima edição teriam de ser atenuadas. Os cortes atingiram principalmente o editorial. Ele continha um chamado para que fossem aplicados na prática os direitos civis prescritos na Constituição chinesa. De fato, o que saiu publicado foi um hino de louvor ao que já foi alcançado na China. O jornalista Cheng Yizhong já foi editor-chefe do Jornal da Cidade do Sul, uma publicação-irmã do Semanário do Sul. Cheng disse à DW que o Departamento de Propaganda altera rotineiramente o conteúdo do Semanário do Sul, e que os jornalistas estariam acostumados com o fato. Mas parece que a paciência deles chegou ao fim. Segundo Cheng, os erros grosseiros de conteúdo lhes deram agora a oportunidade de desafiar o novo e arrogante chefe de Propaganda. Qual deve ser a direção? Os protestos ganharam destaque adicional pelo fato de o novo líder do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, ter dado sinais de novas reformas em suas primeiras semanas no cargo. Ele exigiu mais abertura e transparência. Um editorial no jornal do partido Renmin Ribao (Diário do Povo) havia pedido recentemente aos funcionários do Departamento de Propaganda das províncias que seguissem os passos do governo central. O próprio Diário do Povo prometeu mostrar mais abertura. Em microblogs chineses discute-se agora a credibilidade dos anúncios da nova liderança partidária face ao procedimento dos censores em Cantão. Alguns jornalistas do Semanário do Sul entraram em greve, supostamente também toda a redação de economia. Fontes internas, que preferiram ficar anônimas, disseram à DW que a direção da editora deu ordem, contudo, para que a próxima edição seja publicada na quinta-feira. Na internet, o caso é tema de intenso debate. Embora os conteúdos sejam sempre deletados em redes sociais como Weibo, podem-se ver constantemente novas informações. Para o antigo editor do Semanário do Sul, Chang Ping, as redes sociais exercem um papel fundamental. Segundo Chang, informações sobre a disputa entre a redação e o Departamento de Propaganda não podem mais ser mantidas em segredo. Autor: Mu Cui (ca) Revisão: Francis França

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