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Comissária da ONU propõe investigação sobre crimes de guerra na Síria

11:04 | 19/01/2013
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu que Conselho de Segurança acione o Tribunal Penal Internacional. Dois jornalistas foram mortos no país no período de 24 horas. "Acredito firmemente que crimes de guerra e contra a humanidade foram e estão sendo cometidos e que eles devem ser investigados", disse a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, em Nova York. "Instei o Conselho de Segurança a levar a situação ao Tribunal Penal Internacional (TPI), para que se investiguem os crimes de guerra e contra a humanidade, envolvendo todas as partes deste conflito", acrescentou Pillay, após ter participado de uma reunião a portas fechadas dos 15 membros do Conselho. O pedido de Pillay se soma a uma petição apresentada pela Suíça e apoiada por 58 Estados para que o Conselho de Segurança encaminhe a investigação sobre crimes de guerra na Síria ao TPI. O grêmio da ONU é o único órgão com poderes para encaminhar tal pedido. A alta comissária reconheceu, entretanto, que tinha visto pouca inclinação para que fosse tomada uma decisão neste sentido, já que o Conselho de Segurança se encontra dividido quanto ao assunto. Segundo fontes diplomáticas, Rússia e seus aliados teriam rejeitado a proposta durante a reunião. Rússia e China já usaram seu poder de veto três vezes para impedir resoluções impondo sanções ao regime do presidente sírio de Bashar al-Assad. "Espiral de morte" O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a Síria encontra-se numa "espiral de morte" e reclamou a existência de uma "cisão profunda" dentro do Conselho de Segurança e entre países da região. "Além da crise humanitária, a divisão entre partidários e opositores do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, levou a um impasse nos esforços para procurar uma solução política para o conflito", acrescentou Ban Ki-moon durante um discurso na Universidade de Stanford, na Califórnia. Cinco membros do poderoso órgão da ONU França, Grã-Bretanha, Austrália, Luxemburgo e Coreia do Sul ressaltaram, através de uma declaração conjunta, seu apoio a Pillay, afirmando que, tendo em vista o "terrível" número de vítimas, esperam que outros países decidam aderir à petição. A Alemanha também assinou o texto. Segundo estimativas da ONU, mais de 60 mil pessoas morreram nos confrontos na Síria desde março de 2011. Dois jornalistas foram recentemente mortos no país em 24 horas. O repórter francês de origem belga Yves Debay foi morto na quinta-feira em Aleppo, vítima de um franco-atirador. Membros da oposição apresentaram fotos e vídeos na internet mostrando o que seria o corpo e a carteira de imprensa do europeu. No dia seguinte, um repórter da emissora árabe Al-Jazeera também foi morto a tiros por um franco-atirador na província de Daraa, no sul da Síria. MD/dpa/afp/dapd/lusa Revisão: Soraia Vilela

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