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Egito desafia política americana para Oriente Médio

08:36 | 16/09/2012
Desestabilizado pelo fim abrupto da ditadura de Hosni Mubarak, o Egito transformou-se em um desafio para os EUA. À frente do país mais populoso da região, crucial para o equilíbrio do Oriente Médio, o presidente Mohamed Morsi caminha na corda bamba, tentando conciliar cortejos e pressões de Washington, uma opinião pública indócil e grupos fundamentalistas antiamericanos - ontem, a Al-Qaeda estimulou novos ataque a embaixadas.

As dificuldades de Morsi em lidar com os EUA ficaram claras nesta semana, quando depois de 48 horas de silêncio a Irmandade Muçulmana manifestou-se sobre os incidentes no Cairo. Pelas mãos do engenheiro Khairat el-Shater, eminência parda do atual presidente, a confraria deplorou as tentativas de invasão da embaixada dos EUA, mas o fez com uma frase que revelou a fragilidade dos laços: "Esperamos que as relações que americanos e egípcios forjaram nos últimos meses possam sobreviver aos distúrbios da semana".

O presidente americano, Barack Obama, reagiu na quinta-feira, ao dizer que Morsi não é "nem aliado", "nem inimigo". "Se ele demonstrar que não assume suas responsabilidades, isso causará grandes problemas", afirmou. Na capital egípcia, as declarações de Obama serviram como combustível para os distúrbios da sexta-feira, que invadiram a madrugada deste sábado. Em Qasr al-Nile, a avenida que costeia o Rio Nilo, centenas de jovens desafiavam a polícia com paus e pedras, mesmo sob granadas de gás lacrimogêneo e balas de borracha - confronto que deixou um morto.

Na Praça Tahrir, salafistas empunhavam bandeiras negras - idênticas às adotadas pela Al-Qaeda -, além de alguns cartazes de Osama bin Laden. Eles pediam, com gritos, mas sem violência, a expulsão do embaixador dos EUA e a punição dos produtores do filme Inocência dos Muçulmanos, cujo trailer colocado no YouTube detonou os protestos. Centenas observavam os protestos com neutralidade.

"Morsi precisa encontrar o ponto exato entre diferentes interesses", diz Mohamed Ezz al-Arab, cientista político do centro de estudos Al-Ahram, do Cairo.

Oportunidade

Diante de um governo que tenta encontrar os rumos de sua política externa, a Al-Qaeda aproveitou a situação para estimular ontem novas invasões a missões diplomáticas, pregando em nota a "expulsão de embaixadas dos países muçulmanos" e elogiando os radicais líbios pelo assassinato do embaixador Christopher Stevens, morto em Benghazi, na Líbia, na terça-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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