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Livro sobre ataque que matou Bin Laden contradiz versão oficial

O autor assegura que Bin Laden recebeu um tiro do comando Seal já na porta do quarto e não que ele saiu correndo, como o relato do governo americano

16:30 | 29/08/2012
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WASHINGTON, 29 Ago 2012 (AFP) - O livro escrito por um membro do comando que matou o terrorista Osama Bin Laden no ano passado no Paquistão contradiz detalhes da operação tal como foi apresentada pelo governo do presidente Barack Obama, assinalou a imprensa americana.

O livro intitulado "No Easy Day: The Firsthand Account Of The Mission That Killed Osama Bin Laden" ("Um dia nada fácil: o primeiro relato da missão que matou Osama Bin Laden", em tradução livre), que será lançado em 4 de setembro, oferece um relato em primeira pessoa da operação de 2 de maio de 2011 e afirma que o chefe da Al-Qaeda já tinha sofrido um disparo na cabeça quando o comando Seal o achou em seu quarto, segundo o Huffington Post.

O governo de Obama havia assinalado que Bin Laden foi visto na entrada no quarto e que depois voltou correndo para dentro dele, o que fez os membros do comando suspeitarem de que poderia estar procurando por uma arma.

Mas o autor, que escreve sob o pseudônimo de Mark Owen, assegura que Bin Laden recebeu um tiro do comando Seal já na porta do quarto e que foi encontrado depois dentro do mesmo sangrando por causa do ferimento, segundo trechos citados pela imprensa e confirmados à AFP por funcionários da Defesa.

Bin Laden sofria convulsões e uma mulher chorava a seu lado. Os membros do comando afastaram a mulher dele e voltaram a disparar contra o terrorista, segundo o livro.

"As balas o alcançaram (...) até que seu corpo ficou imóvel", assinala o autor.

Os funcionários americanos não quiseram fazer comentários sobre as descrições feitas no livro a respeito da operação, que é vista como um dos grandes êxitos da administração Obama.

"Não voltaremos a discutir este assunto", afirmou um funcionário da Defesa.

O anúncio da publicação do livro parece ter tomado o Pentágono de surpresa e um porta-voz afirmou à AFP na semana passada não ter conhecimento de que alguma autoridade da Defesa tenha lido o manuscrito.

De acordo com fontes do Pentágono, o comando em questão não teria respeitado as regras para esses casos, segundo as quais os militares reformados que querem publicar livros devem entregar os manuscritos às autoridades para que verifiquem que não estão sendo publicadas informações sensíveis que coloquem em perigo a segurança nacional.

Owen escreveu o livro junto com o jornalista Kevin Maurer, que cobriu operações especiais das forças americanas durante nove anos, segundo a editora.

A editora apresenta o livro como "um relato em primeira pessoa da operação contra Bin Laden por parte de um dos membros do comando Seal que presenciou os últimos momentos do terrorista".

"Owen foi um dos primeiros homens a entrar pela porta do terceiro andar do esconderijo do líder terrorista e estava presente no momento de sua morte", indica a Dutton em um comunicado.

"Apesar de escrito na primeira pessoa, minhas experiências são universais. É hora de deixar registrada uma das missões mais importantes da história militar dos Estados Unidos", afirma Owen, citado pela Dutton.

A eliminação de Bin Laden, que conseguiu escapar das forças americanas por uma década depois dos atentados de 11/9, é vista como um dos grandes êxitos da administração do presidente Barack Obama.

O lançamento do livro acontecerá justamente menos de dois meses antes das eleições presidenciais americanas, nas quais Obama enfrentará o republicano Mitt Romney.

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