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Exército mexicano é criticado após prisão de generais por vínculo com tráfico

17:21 | 17/05/2012

MÉXICO, 17 Mai 2012 (AFP) - A imagem do Exército mexicano, que o presidente Felipe Calderón colocou na linha de frente da luta contra drogas, é questionada pela prisão de dois generais por supostos vínculos com o narcotráfico, mas a defesa assegura que as acusações têm motivações políticas.

O general de divisão da reserva Tomás Angeles, de 69 anos, que era considerado um colaborador próximo do ministro da Defesa, Guillermo Galván, está preso desde a última segunda-feira na procuradoria especializada contra a delinquência organizada da Procuradoria-Geral.

Além de Angeles, o militar de mais alta patente detido no México por supostos vínculos com o narcotráfico, ocorreu outra prisão de menor impacto, a de outro general da reserva, Roberto Dawe.

Os dois estão sendo interrogados pela promotoria antidrogas e antes de sábado devem ser declarada sua libertação, prisão temporária ou prisão formal.

Uma fonte da procuradoria comentou sob anonimato que os militares começaram a ser investigados depois do depoimento de uma testemunha protegida, que os acusa de receber supostos "subornos" do cartel dos irmãos Beltrán Leyva.

A informação foi confirmada por Alejandro Ortega, advogado do general, em declarações à emissora Milenio, mas esclareceu que as acusações pela "suposta entrega de dinheiro do narcotráfico" são feitas por "testemunhas ouvidas, que nunca viram" o militar e não descarta uma tentativa de politizar o caso.

"Os direitos individuais (do militar) foram violados, porque não permitiram que ele se defendesse com um advogado particular. Não consegui falar com meu cliente", disse Ortega.

Para o também ex-general de divisão e ex-deputado federal Luis Garfias, a prisão de Angeles é um assunto "penoso", que "prejudica a dignidade do Exército", segundo declarações ao jornal La Jornada.

Mas familiares do militar defendem a inocência de Angeles, dizem estar abertos à possibilidade de suas propriedades serem investigadas e denunciam supostas motivações políticas em plena campanha eleitoral para a eleição presidencial de 1º de julho.

"Acreditamos que isso tem fins políticos", disse Adriana Angeles, filha do general, em entrevista ao jornal Reforma, publicada nesta quinta-feira.

A imprensa mexicana lembrou que o general Angeles participou em 9 de maio de um fórum sobre segurança organizado pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), cujo candidato, Enrique Peña Nieto, leva uma vantagem de cerca de 20 pontos sobre a aspirante do Partido Ação Nacional (PAN, governo), Josefina Vázquez.

Nesse fórum, Angeles criticou a estratégia de combate às drogas de Calderón e enfatizou a necessidade de "estabelecer objetivos de segurança para ter rumo" e reconheceu que na operação militar foram cometidas violações aos direitos humanos "porque onde há injustiça, inevitavelmente há violência".

Sobre este caso, Peña Nieto afirmou que o general da reserva não faz parte de sua equipe formal de campanha e que participou no fórum "em atenção a seu perfil profissional".

O candidato presidencial da esquerda, Andrés Manuel López Obrador, pediu que os militares sejam investigados "com apego à verdade" e "sem inventar nada".

Em um comunicado divulgado à meia-noite de quarta-feira, a procuradoria geral sustentou que as investigações contra Angeles e Dawe são realizadas "com plenos direitos" e que o caso "carece de conotação política ou de relação alguma com as campanhas em curso".

Após chegar ao poder em 1º de dezembro de 2006, o presidente Calderón lançou uma estratégia militar contra os cartéis da droga que, junto com as disputas entre os próprios grupos de narcotraficantes, causou mais de 50.000 homicídios, incluindo de um número indeterminado de pessoas não ligadas ao crime organizado.

Com Angeles e Dawe, desde 1997 somam ao menos sete os generais do Exército mexicano que foram investigados por supostas ligações com o narcotráfico e apenas um deles foi exonerado de seu cargo.

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