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Eleições municipais na Itália são marcadas por alta abstenção

17:49 | 21/05/2012

ROMA, 21 Mai 2012 (AFP) - Os italianos se abstiveram em massa no segundo turno das eleições municipais que foram realizadas no domingo e nesta segunda-feira em cerca de 120 municípios e cidades, entre eles Parma, que será governada pela primeira vez por um prefeito do movimento do cômico Beppe Grillo, crítico da "partidocracia".

As eleições foram realizadas em um contexto dramático devido crise econômica e pelo fim de semana de terror vivido pela Itália com o terremoto sentido em várias regiões do nordeste do país, que deixou um registro de seis mortos, e o atentado mortal contra uma escola do sul, que comoveu a opinião pública.

A abstenção aumentou 14% em relação aos resultados do primeiro turno divulgados há 15 dias, com apenas 51,5% dos eleitores votando, segundo os dados definitivos divulgados no fechamento das urnas.

A maior surpresa foi a vitória em Parma do candidato do movimento "Cinco Estrelas" de Grillo, Federico Pizzarotti, de 39 anos, que obteve 60,2% dos votos.

Seu rival, o candidato do partido de centro-esquerda para a prefeitura de Parma (centro), Vincenzo Bernazzoli, foi derrotado apesar de ter sido favorito no primeiro turno de 6 de maio.

"Somos pessoas normais, há muito a fazer. Trata-se de um resultado único", declarou emocionado Pizzarotti após conhecer as cifras.

A afluência de eleitores em Parma foi maior, de 60%.

Em Gênova, outra importante cidades em que se elegia um novo prefeito, o candidato de centro-esquerda, Marco Doria, um aristocrata "vermelho", venceu as eleições com 60,8% contra o candidato de centro Enrico Musso, que obteve 39,2%.

Palermo, a capital da Sicília e a maior cidade convocada às urnas, terá como prefeito Leoluca Orlando, um renomado ativista antimáfia, apoiado pelo Partido da Refundação Comunista e pelos ecologistas, que obteve 70,1% contra Fabrizio Ferrandelli, do Partido Democrático (centro-esquerda), que obteve apenas 20,7%.

No total, quatro milhões de eleitores foram chamados a votar para renovar as prefeituras, em uma espécie de teste para medir o humor dos italianos faltando um ano para as eleições legislativas de 2013.

As eleições representam também uma prova para o atual chefe de governo, o ex-comissário europeu Mario Monti, e sua política de austeridade, seis meses depois de sua chegada ao poder, colocando fim ao reinado de Silvio Berlusconi, marcado pela corrupção e os escândalos.

A chuva junto ao temor pelo terremoto que atingiu as regiões do nordeste na madrugada de domingo, causando a morte de seis pessoas, contribuíram para a queda da participação.
Segundo os analistas, a menor afluência foi registrada no eleitorado de centro-direita, o grande perdedor do primeiro turno, atingido pela ausência de Berlusconi e os escândalos por corrupção e o desvio de dinheiro que afetam o lendário líder xenófobo Umberto Bossi.

As eleições foram iniciadas no domingo às 08h00 locais e se encerraram na segunda-feira às 15h00 locais.

A direita, que sofreu uma verdadeira debacle no primeiro turno, submeteu-se ao julgamento do eleitorado, que premiou há duas semanas as formações contrárias aos partidos tradicionais, fruto do descontentamento social.

Em uma entrevista à AFP, Grillo explicou o sucesso alcançado: "Passamos da democracia representativa à democracia participativa".

Ele ressaltou "o vazio político" vivido na Itália como uma das razões de sua força.
"Enchemos esse espaço com a hiper-democracia", resumiu o acusador dos privilégios da chamada "casta política".

No primeiro turno, dos 941 municípios (sobre mais de 8.000 no total) chamados às urnas para eleger seus prefeitos - entre eles 26 capitais da província ou cidades importantes -, o Povo da Liberdade (PDL), o partido conservador do ex-chefe de governo Berlusconi, retrocedeu consideravelmente.

A Liga Norte, que defende a autonomia do norte do país, retrocedeu também, sobretudo em seus redutos setentrionais tradicionais como Varese, Como e Bérgamo. Essa tendência foi confirmada no domingo.

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