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Mais de 120 civis mortos na Síria depois da trégua, ONU quer mais observadores

12:31 | 19/04/2012

DAMASCO, 19 Abr 2012 (AFP) - Diante dos conflitos que deixaram mais de 120 civis mortos durante a semana posterior ao cessar-fogo, que é violado diariamente na Síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, recomendou o envio de uma equipe de 300 observadores ao país, mas afirmou que ainda acredita em uma chance de progresso.

Depois de vacilar, Damasco assinou nesta quinta-feira o protocolo que organiza o trabalho dos observadores enviados pela ONU para monitorar a trégua. Uma das condições para o exercício da missão, no âmbito do plano do emissário internacional Kofi Annan, é a liberdade de movimentação.

Em Paris, chefes da diplomacia se reuniram para tentar manter a pressão sobre Damasco. Entres os ministros presentes, Hillary Clinton, secretária de Estado americana, ameaçou Bashar al-Assad com "novas medidas", caso o regime "não respeite esta última chance", representada pelo plano de Annan.

O regime Assad se comprometeu em diversas ocasiões a implementar este plano, mas diplomatas da ONU denunciam a falta de cooperação de Damasco.

As Nações Unidas devem decidir nos próximos dias se as condições no terreno permitem uma expansão gradual da missão de observadores, tal como propôs Ban Ki-moon em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU.

A proposta, "uma missão de supervisão (...) por um período inicial de três meses", recomenda a votação de uma resolução para o envio de 300 observadores militares distribuídos por diferentes locais do país.

Alguns diplomatas acreditam que esta resolução poderia ser adotada já no início da próxima semana, enquanto o Ministério chinês das Relações Exteriores diz "estudar seriamente a oportunidade de enviar ou não observadores à Síria".

Pequim e Moscou, aliados de Damasco, não estiveram presentes na reunião em Paris. Moscou denunciou o encontro, cujo objetivo "não é encontrar um caminho para o diálogo intersírio, mas o contrário, o aprofundamento das contradições entre a oposição e o regime".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou que o isolamento da Rússia e da China não vai durar, já que "os chineses, assim como os russos, não gostam de ficar isolados".

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou que a Rússia cumpre "honestamente" sua parte do trabalho para o êxito do plano Annan, e pediu "aos dirigentes sírios", "principais responsáveis pela situação na Síria", que "garantam os direitos Humanos, a segurança de seus cidadãos e a soberania do Estado".

Uma semana depois da instauração do cessar-fogo, um civil foi morto durante uma ação das forças governamentais em Deir Ezzor (leste) e três outros morreram em Yabroud, na região de Damasco, atingidos por disparos de metralhadoras, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que contabiliza 123 civis mortos nos sete últimos dias.

De acordo com o OSDH, confrontos entre soldados e rebeldes foram registrados em

diferentes regiões do país, apesar da presença de observadores da ONU.

Mais de 80 pessoas morreram nos últimos três dias.

A Irmandade Muçulmana síria denunciou, em um comunicado, a atitude de Annan, "muda" frente aos assassinatos. O grupo afirmou ainda que esta "renúncia" não trará "nada de bom".

Os militantes acusam o regime de violar diariamente todos os seis pontos do plano de paz. A violência e as prisões continuam, assim como os tanques que permanecem nas cidades. Já as autoridades do governo afirmam que "grupos terroristas armados" realizam a cada dia ataques mortais.

O plano Annan tem por objetivo acabar com a repressão da contestação iniciada há 13 meses, e que se militarizou com o tempo. Desde então, a violência provocou a morte de 11.100 pessoas, a grande maioria civis, segundo o OSDH.

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