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Corrida contra o relógio para encontrar assassino de Toulouse, França

15:50 | 20/03/2012

TOULOUSE, França, 20 Mar 2012 (AFP) - Os investigadores franceses iniciaram nesta terça-feira, 20, uma corrida contra o relógio para deter o misterioso assassino em série, que de forma fria e cruel matou sete pessoas em três ataques e que parece filmar os seus crimes.

Os corpos das três crianças e do adulto mortos na segunda-feira em um colégio judeu de Toulouse (sudoeste) foram transportados hoje para Paris. Em seguida, serão levados para Israel, onde será realizado o enterro na quarta-feira.

Enquanto isso, o governo colocou em ação todos os seus meios, sua polícia e o serviço anti-terrorista para deter o 'serial killer' antes que ele cometa mais um crime.

Um minuto de silêncio foi respeitado às 10h00 GMT (7h00 de Brasília) em todas as escolas francesas, em um sinal de união e solidariedade.
O presidente Nicolas Sarkozy, que esteve nesta manhã em uma escola para o minuto de silêncio, irá ao aeroporto de Roissy, perto de Paris, para um tributo aos mortos, durante uma cerimônia privada.

Ele garantiu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o seu "total compromisso" para deter o autor do assassinato de Toulouse.

O assassinato, o primeiro envolvendo judeus nos últimos 30 anos na França, abalou o país e freou a campanha para a eleição presidencial, sem, contudo, interrompê-la completamente.

Os investigadores trabalham com as informações preliminares obtidas através de vídeos de vigilância, testemunhos de sobreviventes e os contatos entre o assassino e sua primeira vítima no domingo, 11 de março.

"Infelizmente, nós não temos nada, temos apenas uma obrigação de resultado, isso é tudo", disse o presidente Nicolas Sarkozy à imprensa, enquanto o ministro do Interior, Claude Gueant, declarava que os investigadores ainda não tinham identificado o assassino.

 

Vítimas de tiro à "queima roupa" 

Os investigadores já são capazes de reconstituir parte do percurso do assassino desde o dia 6 de março, quando roubou uma scooter que foi utilizada até o último ataque na segunda-feira.

Em 11 de março, o suposto assassino em série matou um soldado de origem magrebina em Toulouse. No dia 15 de março, atirou em três soldados do regimento de paraquedistas na cidade vizinha de Montauban, dois de origem magrebina, o terceiro de origem caribenha. Dois morreram, o terceiro ficou gravemente ferido.

No período de 14 dias o homem agiu a cada quatro dias em um raio de 50 km. Atacou magrebinos ou soldados das Antilhas e judeus.

A cada vez, uma scooter para se locomover rapidamente, duas armas calibre 9 e 11.43mm e um capacete para evitar ser reconhecido são utilizados.

A cada assassinato, o 'serial killer' disparou um tiro na cabeça "à queima ropua", disse o promotor de Paris Francois Molins, responsável por esta investigação de terrorismo classificado.

Ele sabe que é "caçado" e, por isso, "pode atacar novamente", acrescentou o magistrado.

O ministro do Interior, Claude Gueant, revelou um detalhe perturbador. "Uma testemunha viu uma pequena câmera em torno do pescoço do assassino". É um dispositivo "para gravar imagens e depois assisti-las no computador", segundo o ministro.

"Na minha percepção isso tende a reforçar o perfil psicológico do assassino", descrito como "muito cruel", disse.

Especialistas sugerem semelhanças com o norueguês Anders Breivik Behring, que incentivou que os "Cavaleiros Templários" filmassem seus ataques em um manifesto publicado na internet pouco antes de matar 77 pessoas em 22 julho de 2011.

Entre as pistas exploradas pela polícia está a ideia de que é um assassino de ideologia racista e antissemita da ultra-direita. No entanto, a polícia descartou a possibilidade da autoria ter sido de três ex-paraquedistas neonazistas expulsos do Exército em 2008.

O raro assassinato de judeus em solo francês levou a implantação de recursos excepcionais para encontrar o assassino com a frieza e determinação inédita.

"Não explorar a desgraça" Nicolas Sarkozy anunciou o lançamento, pela primeira vez na França, de um plano Vigipirate de "cor escarlate", o mais alto nível de alerta contra o terrorismo, na vasta região em torno de Toulouse.

Nesta cidade, onde homenagens são realizadas desde a manhã de segunda-feira, os corpos dos mortos, Jonathan Sandler, professor de religião de 30 anos e seus dois filhos Gabriel e Arieh (quatro e cinco anos) e Myriam Monsonego (7 anos), todos com dupla nacionalidade, deixaram a escola Ozar Hatorah às 14h20 (10h20 de Brasília).

Os corpos foram levados para o aeroporto Roissy, antes de voarem para Israel pela companhia aérea israelense El Al às 19h50 de Brasília.

O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, acompanhará as famílias em Israel, onde os corpos dos falecidos serão enterrados na quarta-feira, em acordo com o desejo de seus entes queridos.

O atentado na segunda-feira suspendeu a campanha para a eleição presidencial (22 de abril e 6 de maio).

"Eu não acredito que alguém vai tentar explorar essa desgraça. Eu não quero nem imaginar", disse François Hollande, candidato socialista favorito nas pesquisas, que cancelou seus comícios, mas que se manteve muito presente na mídia.

No entanto, o candidato centrista François Bayrou e o da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon quebraram este acordo para continuar suas respectivas campanhas em prol da luta contra a intolerância e a violência.

Antes da escola Ozar Hatorah deve reabrir quarta-feira, dezenas de velas foram acesas e flores colocado contra a parede. Segundo a tradição judaica, os corpos de quatro pessoas mortas, feitas a partir da tarde as famílias foram vigiados durante toda a noite.

Na frente do colégio Ozar Hatorah, que deve reabrir na quarta-feira, dezenas de velas foram acesas e buquês de flores depositados no muro do estabelecimento. Segundo a tradição judaica, os corpos dos quatro mortos foram velados durante toda a noite.

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