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Camboja: ex-chefe do Khmer recebe prisão perpétua

15:13 | 03/02/2012
Um tribunal do Camboja apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aumentou nesta sexta-feira a sentença de prisão para o ex-chefe das prisões do Khmer Vermelho, movimento extremista de esquerda que governou o país durante a década de 1970 e exterminou 1,7 milhão de pessoas. O tribunal determinou que Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, de 69 anos, deverá cumprir pena de prisão perpétua e não mais de 19 anos de prisão, por causa dos seus crimes "chocantes e hediondos" contra o povo cambojano.

Duch foi o primeiro ex-líder do Khmer julgado e condenado pelo tribunal. Ele foi comandante da prisão Tuol Sleng, na capital cambojana Phnom Penh. Ele admitiu ter supervisionado torturas de prisioneiros, antes que eles fossem executados em "campos da morte".

Em julho de 2010, um tribunal de segunda instância condenou Duch (pronuncia-se Doik) por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e assassinato. Uma coalizão de 23 grupos cívicos cambojanos comemorou a decisão e declarou que as vítimas de Duch finalmente receberam alguma forma de Justiça. Duch havia sido sentenciado a 35 anos de prisão, mas teve a pena reduzida em 16 anos por bom comportamento e pelo tempo que já havia ficado preso.

"Os crimes de Kaing Guek Eav foram de uma natureza particularmente chocante e hedionda, baseados no número de pessoas que foram mortas", disse o juiz. O tribunal afirma que Duch supervisionou pessoalmente as mortes de pelo menos 12.272 vítimas, mas estimativas chegaram a elevar o número para 16 mil. Segundo o tribunal, os assassinatos ocorreram entre 1975 e 1979, tempo em que o Khmer governou o Camboja. "Sem dúvida, esse caso está entre os mais graves ante os tribunais penais internacionais".

Andrew Cayley, o co-promotor britânico que participou do julgamento , disse que Duch pode pedir perdão novamente após cumprir 20 anos de prisão, ou sete anos a partir de agora.

Duch treinou, ordenou e supervisionou sua equipe na condução de "torturas sistemáticas e na execução de prisioneiros" e mostrou "dedicação ao refinar as operações na prisão, que era uma fábrica da morte", disse o tribunal em comunicado separado.

Três outros líderes sobreviventes do Khmer, além de Duch, são julgados pelo tribunal. Mas ao contrário do ex-chefe das prisões, eles não admitiram a culpa ou pediram por clemência. Eles são Nuon Chea, de 85 anos, o principal ideólogo do Khmer; Khieu Samphan, ex-chefe de Estado; e Ieng Sary, de 86 anos, o ex-ministro das Relações Exteriores do Khmer. Nuon, além de ideólogo, era considerado o segundo político mais importante do regime, abaixo apenas de Pol Pot, que morreu nas selvas cambojanas de morte natural em 1998.

As informações são da Associated Press.

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