DHPP refaz passos de acusado de feminicídio no Centro de Fortaleza e elucida crime
Exames periciais apontam que vítima foi morta com golpes de tesoura e pauladas. Criminoso ainda teria retirado a placa da moto para não ser encontrado
A investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelou a dinâmica da fuga de Bruno Ribeiro da Silva, preso pelo feminicídio de Luciana Cordeiro do Nascimento, 27, ocorrido na última terça-feira, 3, no Centro de Fortaleza.
O inquérito obtido pelo O POVO desmonta a versão de suicídio apresentada pelo acusado, comprovando, através de imagens de segurança, que ele foi a última pessoa a estar com a vítima e que fugiu logo após o crime.
Imagens de câmeras de vigilância analisadas pela Polícia Civil mostram o momento exato em que Bruno deixa a residência do casal na rua Senador Alencar, logo após cometer o crime. As gravações registram o suspeito saindo da casa e virando à esquerda na avenida Filomeno Gomes.
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Após a saída de Bruno, nenhuma outra pessoa entrou no imóvel até a chegada das autoridades, o que refuta a tese da defesa de que a vítima teria atentado contra a própria vida ou que terceiros estariam envolvidos.
A prisão do suspeito, ocorrida a cerca de 160 km de Fortaleza, foi possível graças à inteligência policial. A investigação identificou que a motocicleta utilizada na fuga, uma Honda Bros, era alugada e possuía um rastreador.
A equipe do DHPP monitorou o deslocamento do veículo em tempo real pela BR-116. Ao constatarem que a moto havia parado no distrito de Aruaru, em Morada Nova, os agentes se deslocaram até o local. Bruno foi encontrado vestindo exatamente as mesmas roupas que usava nas imagens das câmeras de segurança no momento da fuga, não tendo tempo sequer de se trocar.
A Polícia Civil foi acionada via Ciops às 18h49min. Ao chegarem ao local, o portão da residência precisou ser arrombado para o acesso e um dos fios da cerca elétrica estava rompido.
Vítima foi morta a golpes de tesoura e pauladas
Conforme o laudo pericial, Luciana foi morta com golpes de tesoura e pauladas. O laudo detalha duas perfurações nas costas, duas perfurações no tórax, uma perfuração na mão direita, que é indicativo de ferimento de defesa.
Antes de fugir, Bruno arrancou a placa da moto e a jogou por cima do muro da casa. A placa foi encontrada posteriormente pela irmã da vítima, caída no quintal, próxima a um pedaço de madeira manchado de sangue, utilizado nas agressões.
Depoimentos colhidos pelo DHPP, obtidos pelo O POVO, apontam que o feminicídio foi o ápice de uma rotina de violência doméstica progressiva.
O inquérito destaca que Bruno exercia intenso controle sobre a vida de Luciana, impedindo-a de sair de casa e que a vítima apresentava marcas visíveis de agressão, descritas como "manchas roxas".
A investigação descreve uma "escalada criminosa" onde o autor, inconformado com o fim do relacionamento, partiu das ameaças e agressões físicas para a execução brutal da companheira.
O acusado segue preso preventivamente e responderá por feminicídio, com agravantes de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.