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Fortaleza
NOTÍCIA

Médicos cearenses comemoram 30 anos do SUS, com música e plantio de árvores no Cocó

Também no ato realizado na manhã deste sábado, 19, o grupo protestou contra ações do governo federal que, segundo afirmam, colocam em risco à saúde pública

Ismia Kariny
11:38 | 19/09/2020
Os profissionais foram convidados a participar da iniciativa, vestidos de branco e com atenção ao distanciamento social e o uso de máscara (Foto: Bárbara Moira)
Os profissionais foram convidados a participar da iniciativa, vestidos de branco e com atenção ao distanciamento social e o uso de máscara (Foto: Bárbara Moira)

Médicos do Coletivo Rebento comemoram os 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), em manifestação no Parque do Cocó, em Fortaleza, na manhã deste sábado, 19. O ato foi realizado por meio de plantação de árvores, em momento de descontração com música e oficina de cartazes. Também na manifestação, os médicos protestaram em defesa da revogação da Emenda Constitucional 95, que congelou por 20 anos os investimentos do governo federal em todas as áreas, inclusive a saúde pública.

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“O ato hoje é para comemorar os 30 anos do SUS e a atuação frente à pandemia. Se não fosse o SUS, nós teríamos muito mais mortes do que tivemos”, comenta a obstetra Liduína Rocha, que participou da ação. “E também para lembrar que ele é uma política pública de Estado, independentemente de qualquer governo que assuma, e que a gente tem de defendê-lo”, acrescenta Liduína, recordando que o Coletivo Rebento atua em defesa do sistema de saúde pública, em favor da ética e da ciência.

Assim, também na manifestação realizada nesta manhã, o grupo protestou contra ações do governo federal que, segundo afirmam, ferem esses valores. Entre elas, se destacam a limitação de recursos para a saúde, previsto pela Emenda Constitucional 95, e a aprovação de uma portaria que obriga médicos a avisarem a polícia sobre pedidos de aborto por estupro.

De acordo com o Coletivo Rebento, os direitos mais básicos da população estão sob ameaças diante das decisões do governo federal, que, durante meses, manteve o País sem ministro da Saúde, enquanto a pandemia registrava mais de 135 mil mortes. “Se houvesse empenho do Governo Federal em coordenar ações, garantir pessoal e infraestrutura, conscientizar a população sobre a doença, grande parte das mortes seriam evitáveis”, frisa o Coletivo.

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Professores da UFC participam do ato em defesa do SUS

No ato público deste sábado, os médicos e as médicas do Coletivo Rebento também demonstraram solidariedade aos cinco professores da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), que sofreram procedimento administrativo da Instituição, acusados de insubordinação. Segundo o Coletivo Rebento, o grupo está sendo vítima de perseguição por gestores da faculdade e pelo reitor Cândido Albuquerque.

“Nós estamos nesse momento, sendo objetos de uma ação persecutória, e o Coletivo nos convidou para prestar sua solidariedade e estamos aqui para participar do ato. Estamos agradecidos e sensibilizados”, relata um dos professores, Newton Albuquerque. “A nossa luta não se confunde com as questões individuais, é uma luta pela Universidade, pela liberdade de expressão, a autonomia individual, enfim, por tudo que está consagrado na Constituição e nos tratados de direitos humanos”.

Em nota enviada ao Blog do Eliomar, a UFC negou as acusações de perseguição política e afirmou que tem prezado pela boa convivência com diferentes pontos de vista. 

Também em defesa do SUS, o professor de direito da UFC, Newton Albuquerque, recorda que o sistema foi uma conquista fundamental para os trabalhadores da saúde, e, sobretudo, para o povo brasileiro. “Com a pandemia ficou ainda mais nítido. Por mais que queiramos escapar individualmente, não conseguimos. Se houver um contágio social, se as pessoas mais pobres, os trabalhadores, não tiverem acesso a saúde, até os ricos e privilegiados podem vir a ser afetados ou contaminados”, salienta.

O coletivo e as manifestações

O Coletivo Rebento - Médicos e Médicas em Defesa da Ética, da Ciência e do SUS chamou atenção nacionalmente com a grande repercussão do vídeo em que mais de 30 médicos deram uma resposta à fala do presidente sobre "invadir e filmar hospitais".

Em 13 de junho, o coletivo também realizou uma manifestação na Praia de Iracema, em homenagem às vítimas da Covid-19 e aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate à pandemia. O protesto também manifestou repúdio às ações do Governo Federal, em resposta a crise do novo coronavírus. 

Outra manifestação, ocorrida no mesmo local, no dia 21 de junho, foi promovida pelos Médicos pela Democracia, como parte de uma grande manifestação nacional da categoria. Ambas as manifestações contaram propositadamente com poucas pessoas, em ambiente aberto e ventilado, e respeitaram os cuidados de distanciamento, higiene e prevenção.