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Fortaleza
NOTÍCIA

Saiba como foi o primeiro dia de missas presenciais em Fortaleza

Respeitando às medidas de distanciamento social assim como o uso de máscara e de álcool em gel, templos voltam a receber fiéis

Lais Oliveira
17:21 | 05/09/2020
Paróquia Santa Luzia, no bairro Meireles, em Fortaleza (Foto: Bárbara Moira)
Paróquia Santa Luzia, no bairro Meireles, em Fortaleza (Foto: Bárbara Moira)

Atualizada às 18 horas

Depois de quase seis meses, as igrejas católicas de Fortaleza voltaram a receber fiéis para missas neste sábado, 5, por meio de agendamento prévio e respeitando às medidas de distanciamento social, assim como o uso de máscara e de álcool em gel. Expectativa de párocos é de que a volta aconteça aos poucos. O POVO passou por duas celebrações e observou movimentação considerável dos fiéis, mas sem aglomerações.

A secretária Ivoneide Carneiro de Castro, 34, vinha acompanhando as celebrações do Santuário de Nossa Senhora de Fátima apenas por redes sociais nos últimos cinco meses. "Foi muito difícil pra gente sem estar vindo para a casa de Deus. Ouvir a palavra pessoalmente é um sentimento muito bom", comemora.

A Igreja de Fátima disponibilizou dois totens de álcool em gel para os fiéis na entrada. Não está ocorrendo agendamento prévio e as pessoas entram no local por ordem de chegada.

Caso a igreja alcance a capacidade máxima permitida de 250 pessoas, aqueles que chegarem depois são acomodados no pátio externo ou ficam para a próxima missa. Todos os fiéis precisam usar máscara e estão tendo a temperatura aferida antes de entrar no templo. Em cada banco, ficam sentadas três pessoas.

Francisco de Assis Gomes Ferreira, 35, é zelador e colabora na Arquidiocese de Fortaleza desde 1990. Ele acredita que o momento é de cautela e que a volta das pessoas será gradativa. "Estou muito feliz com o retorno das igrejas. É uma demanda abaixo da quantidade normal, mas isso já é uma grande passo. Temos que começar devagarzinho, e futuramente vamos retornar ao normal", considera.

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Para o padre Ivan de Souza, pároco da Igreja de Fátima, o momento de retorno das missas presenciais se caracteriza como uma "emoção muito forte". Ele opina que a decisão da Arquidiocese de adiar o retorno em junho, apesar da autorização estadual para reabertura, foi acertada. 

Paróquia Santa Luzia, no bairro Meireles, em Fortaleza
Paróquia Santa Luzia, no bairro Meireles, em Fortaleza (Foto: Bárbara Moira)

"Foi muito sábio porque deu tempo de a gente se preparar e ter a seriedade de retomar sem atropelos. Tudo é novo pra nós. A arquidiocese acertou porque ajudou a gente a pensar", afirma.

O religioso pede também que os fiéis tenham paciência neste primeiro momento. "O vírus não passou, continua circulando, e não temos remédio ou vacina. tudo é muito paliativo. Os fiéis tenham calma, porque se não der todo mundo para vir hoje, tem amanhã e depois", diz o pároco.

O padre Ivan aconselha ainda que as pessoas idosas ou com comorbidades, que fazem parte do grupo de risco da Covid-19, venham em horários mais vagos durante a semana, como 6h30min ou 12 horas. Ele lembra que a Igreja continua transmitindo as missas via Facebook e Instagram

Missa ao ar livre

 

Na Paróquia Santa Luzia, no bairro Meireles, a igreja passa por obras e as missas retornaram ao ar livre, com o auxílio de toldos. Neste sábado, eram aguardados cerca de 80 fiéis para a celebração das 17 horas. A capacidade total do lugar era para 100 pessoas, respeitando o distanciamento de 1,5 metro entre as cadeiras.

De acordo com o padre Watson Façanha, vigário paroquial de Santa Luzia, a igreja está realizando agendamento via ligações, WhatsApp ou por meio de preenchimento do formulário na internet. Logo na entrada, dois totens com álcool em gel eram colocados à disposição do público.

Segundo o pároco, equipes mais jovens foram escaladas para auxiliar o retorno porque a maior parte dos integrantes da administração da paróquia faz parte do grupo de risco da Covid-19.


Além do uso obrigatório da máscara durante toda a celebração, ele reforça que abraços e outros cumprimentos mais próximos não poderão acontecer para obedecer o distanciamento social.

"Peço aos fiéis que amem a Deus e ao próximo, cuidando de si e cuidando do seus irmãos. Nós somos responsáveis pela vida do irmão. É isso que gostaria de deixar pra todos que retornam às celebrações presenciais da Igreja Católica", pede.

A analista de sistemas Luciene Mesquita, 41, afirma que a missa presencial fez muita falta em sua rotina durante o período de isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus. "Não deixei de rezar todo dia e ver a missa por televisão e online. Voltar hoje é maravilhoso. É muito bom, a missa faz muita falta na vida da gente", conta.

Católica fervorosa há 20 anos, a advogada Teresa Cláudia Gabriele, 56, se emociona ao comentar sobre a alegria de voltar à missa após meses de comunhão apenas de casa. "É a palavra que nos alimenta, que nos faz sentir verdadeiros cristãos. É muita alegria, muita emoção, receber Cristo pessoalmente", afirma.

Já o estudante de engenharia Ryan Monteiro, 19, frequenta a Paróquia Santa Luzia desde os 12 anos, sempre aos domingos. Mesmo acompanhando as celebrações online durante a quarentena, ele sentia falta "da energia que a igreja proporciona". "Pela televisão, você sente, mas não é a mesma coisa. Estou me sentindo seguro usando máscara, álcool em gel, estou fazendo minha parte", reitera.

Confira cuidados de padres e fiéis no retorno das missas:

 

As comunidades devem organizar equipes de acolhida que auxiliem fiéis no cumprimento das normas;

Higienizar as mãos antes de adentrar a igreja;

Deixar frascos dispensadores com produtos higiênicos de forma visível e acessível no templo;

Manter a máscara de proteção durante toda a celebração. Somente deverá ser retirada, momentaneamente, na hora da eucaristia;

Os lugares a serem ocupados serão indicados e os fiéis serão levados aos seus respectivos assentos;

Os recipientes de água benta que ficam na entrada das igrejas devem estar vazios;

A manual ainda aponta outras medidas, como limitação do número de participantes levando em conta a dimensão da igreja ou até mesmo o estabelecimento de senhas para as missas de domingo.

Igrejas com grande demanda de fiéis devem aumentar seu número de celebrações, justamente para evitar aglomerações.

Já na entrada do templo, as pessoas terão suas temperaturas aferidas, em seguida encaminhados aos seus lugares. Fiéis que se sentirem mal durante celebração devem procurar sair imediatamente, acompanhados por uma pessoa da acolhida que a comunidade cristã tiver designado.

Com informações da repórter Gabriela Custódio


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