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Fortaleza
NOTÍCIA

Prefeitura derruba 35 construções irregulares no residencial Cidade Jardim 2

As edificações foram construídas, de acordo com a Prefeitura, em uma área verde do bairro José Walter. A Agefis diz que as edificações eram usadas para comércio e serviços

13:20 | 03/07/2020
Demolição de imóveis ilegais no residencial Cidade Jardim 2, no bairro José Walter (Foto: Fabio Lima)
Demolição de imóveis ilegais no residencial Cidade Jardim 2, no bairro José Walter (Foto: Fabio Lima)

A Prefeitura demoliu, na manhã desta sexta-feira, 3, 35 edificações irregulares construídas numa área verde do bairro Cidade Jardim 2, próximo ao bairro José Walter, em Fortaleza. Segundo os moradores, os pontos eram usados para comércios e serviços porque, nas proximidades do local, não há locais para o abastecimento da comunidade. 

Através de nota, a Agefis afirma que as construções na avenida G, próximas ao Residencial Cidade Jardim, foram feitas recentemente e não estavam habitadas. A pasta informa ainda que a ação foi determinada após reuniões com Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e Ministério Público do Estado do Ceará. “A operação está sendo realizada pela Agefis, com o apoio da Guarda Municipal de Fortaleza e do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Ceará (BPChoque)”.

“Isso é de praxe do Governo do Estado e da Prefeitura. Temos grandes terrenos que poderiam ser usados para a construção social, como postos de saúde”, aponta Jefferson Ferreira, militante da Organização Popular (OPA) e morador do bairro. Ele conta que guardas municipais e agentes da Polícia Militar, sem apresentarem ordem de demolição, derrubaram as edificações sob a alegação de que os comércios tinham relação com o crime. “Já passaram de 20 comércios na quadra 3 e agora estão no meio do polo de lazer da quadra 2”, comenta. Segundo ele, não é a primeira vez que esse tipo de ação acontece no local.

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Batista Neta, moradora do Cidade Jardim 2 e militante de alguns movimentos sociais, informa que buscou diferentes pastas da Prefeitura nesta quinta-feira, 2, e que em todas obteve a informação de que, caso houvesse um processo de demolição, os comerciantes seriam avisados para tirarem suas mercadorias. De acordo com alguns moradores, a ação teria sido resultado de denúncias sobre a ocupação dos comércios por organizações criminosas."Aqui ninguém sentiu a pandemia porque nós tínhamos o que vender e o que comprar. A denúncia não foi feita porque comércio está sendo feito no Cidade Jardim 2. Foram dizer que esses comércios foram feitos por uma facção criminosa e que a facção estava ganhando com isso", conta a moradora.

O POVO entrou em contato com o MP-CE, que participou de reuniões com a Prefeitura quando a ação de derrubada das construções foi definida, e aguarda o retorno. 

Em nota, a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) esclarece que, embora exista a parceria entre Estado e Município no empreendimento, o residencial Cidade Jardim 2 foi concedido, a partir de projetos pré-estabelecidos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. O órgão ressalta ainda que diálogo entre liderenças comunitárias, Banco do Brasil, prefeitura e Estado para determinar espaços para a prática comercial. Tendo sido, inclusive, apresentado algumas áreas que poderiam acomodar os comerciantes. 

"Essa decisão, além de determinar espaços comuns de comércio no residencial, tem a ideia de inibir a ocupação irregular de áreas verdes e passeios, permitindo assim, a preservação do meio ambiente e o livre acesso das concessionárias para a manutenção dos serviços essenciais na área", diz a Habitafor.

Com informações do repórter Ítalo Cosme