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Fortaleza
NOTÍCIA

Professor cearense que morreu em acidente na Colômbia demonstrava orgulho pela profissão

Com o perfil "@profjoaojaime", João fez a sua penúltima postagem há quatro semanas. Na mensagem, a emoção de ver os resultados que foram ensinados dentro da sala de aula

21:04 | 07/01/2020
Segundo informações do portal El Isleño, João Jaime foi atropelado por um caminhão enquanto atravessava uma rua do centro da cidade
Segundo informações do portal El Isleño, João Jaime foi atropelado por um caminhão enquanto atravessava uma rua do centro da cidade (Foto: Arquivo Pessoal)

Um acidente na Ilha de San Andrés, na Colômbia, nessa segunda-feira, 6, matou o professor universitário João Jaime Giffoni Leite, 37, graduado em Química pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Conhecido pelo jeito descontraído de dar aula, "JJ", forma carinhosa como era chamada pelos alunos, começou a vida acadêmica há 10 anos, na Faculdade Kurios - Fak, que tem sede em Maranguape. Três anos mais tarde, em 2013, João se tornou professor do Centro Universitário Fametro (Unifametro), local onde ensinava até falecer.

Com o perfil "@profjoaojaime", João fez a sua penúltima postagem há quatro semanas e com a localização ativa no Unifametro. Na mensagem, a emoção de ver os resultados que foram ensinados dentro da sala de aula. "Hoje tive a honra de ver meus alunos de Odontologia que ingressaram em 2016.1 e hoje estão defendendo o TCC 1!!! Fiquei emocionado quando falavam sobre aspectos microbiológicos, imunológicos, bioquímicos, éticos, de biossegurança...pois nesse momento a gente ver que as sementes lançadas encontraram solo fértil !!!", escreveu o professor.

O professor colecionou histórias que envolvem não só o ensino mas, também, o afeto dos alunos. Aluna de João ainda em 2015, a então graduada em Fisioterapia, Tainara Oliveira, 24, relembra o primeiro semestre da faculdade quando o professor ministrou a disciplina de "Citologia" para a turma dela. "Ele era uma professor muito generoso. Lembro de uma vez que fui a única da minha turma a faltar a prova dele e ele queria fazer minha prova oral. Mas quando eu pedi pra ele que não fosse, ele permitiu que eu escrevesse. Ele amava ensinar. As aulas dele eram bem divertidas. Ele podia ter muitos alunos mas lembrava da gente ainda", conta Tainara.

Além de lecionar no curso de Fisioterapia (Citologia, Histologia e Embriologia), João também era professor dos alunos que faziam Enfermagem (Cito-histologia e Embriologia), Odontologia (Agentes Infecciosos, Imunologia, Bioética e Patologia), Farmácia (Imunologia), Estética e Cosmética (Microbiologia e Imunologia) e Fisioterapia e Nutrição (Trabalho de Conclusão de Curso I).

Em meio à tristeza pela tragédia que vitimou João, os alunos buscam manter viva a lembrança do professor. Nos próximos dias 11 e 12 de fevereiro, algumas turmas devem colar grau e já se preparam para de alguma forma homenageá-lo.