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NOTÍCIA

Caso Giselle: PM acusado de homicídio é demitido

Os policiais haviam recebido a informação de que um HB20 realizava assaltos na área. Eles confundiram o veículo que Giselle dirigia com o dos bandidos

20:38 | 22/11/2019
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A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) decidiu pela demissão do militar estadual soldado Francisco Rafael Soares Sales, indiciado como autor da morte de Gisele Távora Araújo. O caso aconteceu no dia 11 de junho de 2018, na avenida Oliveira Paiva, Cidade dos Funcionários. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira, 22, no Diário Oficial do Estado (DOE). Rafael contou como tudo aconteceu e ressaltou que não recebeu ordem de comando para atirar, o fez por inciativa própria.

De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O) registrado para apurar as circunstâncias do crime, Gisele Távora foi morta durante uma abordagem policial. Havia informações suficientes para o indiciamento da composição que atuou na ocorrência. Entre os PMs estava Rafael, que prestou depoimento e afirmou ter recebido relato informal sobre um HB20 branco, que estava sendo utilizado por três criminosos para assaltos na área. A informação do veículo que estava realizando assaltos seria de grupos de WhatsApp e Zello.

Segundo o depoimento do soldado, os PMs estavam em motopatrulhamento e perceberam um automóvel com a mesma descrição mudando de faixa repentinamente, em uma manobra brusca. Os policiais decidiram então abordar o veículo. Rafael afirmou que o sinal sonoro e intermitente da viatura foram ligados, mas o veículo perseguido aumentou de velocidade. Era nesse carro, um HB20 branco, que estava Gisele.

O HB20 teria ultrapassado carros no cruzamento usando o acostamento da ciclofaixa. Ainda conforme o policial, o veículo fez uma conversão proibida à esquerda e quase atropelou um pedestre. Rafael relatou que o automóvel quase bateu em outros carros e que, no cruzamento das ruas Margarida Queiroz com Chico Lemos, não respeitou a preferencial.

O policial contou que ouviu um disparo quando o veículo se aproximava da avenida Oliveira Paiva. Nesse momento, os policiais teriam se abrigado atrás de um poste esperando um possível revide. Isso teria levado Rafael a efetuar um disparo contra o pneu do HB20. Mesmo assim, conforme o PM, o automóvel não parou. Ele justificou o tiro afirmando que o carro iria entrar em uma via de grande fluxo, em horário de pico, colocando a vida de terceiros em risco.

Ao perguntar à adolescente que sobreviveu, filha da vítima, sobre não ter obedecido a ordem de parada, a jovem teria afirmado que as duas estavam com pressa. 

O PM ainda relatou no depoimento que não viu se havia alguém no carro com armas, pois não era possível ver dentro do veículo. Durante o interrogatório, o PM respondeu  que em nenhum momento viu alguém com arma apontando para a viatura. Também não houve situação em que o carro fosse colocado contra os PMs. 

Questionado se o tiro poderia ter saído da arma de outro PM, ele afirmou que sim. O policial disse que não houve busca veicular, pois quando perceberam que havia uma pessoa lesionada à bala, os agentes de segurança foram socorrê-la.

Na apuração do caso, a defesa de Rafael requereu imagens de segurança que mostram o automóvel invadindo a ciclofaixa, avançando um sinal vermelho e chegando a quase atropelar uma transeunte. E que em seguida faz a conversão proibida.

Já nos depoimentos das testemunhas, a decisão afirma que ficou claro que o automóvel de Gisele e seus integrantes não trouxeram perigo imediato à composição. E que não há prova material que o veículo estivesse trazendo perigo a terceiros.

Perícia

O laudo pericial mostrou que não seria possível realizar o exame de microcomparação balística, em virtude de não haver projétil de arma de fogo no corpo da vítima. E também não foi encontrado nada no veículo atingido. Ainda segundo a Perícia, o tiro se encaixa com a condição do soldado Rafael, que estava fora do veículo e escondido portando uma arma do tipo carabina ponto 40.

No laudo cadavérico consta que Gisele foi atingida de trás para frente e de baixo para cima em linha reta, o que ocasionou a morte por hemorragia interna e externa. Gisele morreu na manhã seguinte ao crime. O processo resultou pela sanção da demissão do PM, que foi publicada nesta sexta-feira, 22, no Diário Oficial.

A publicação refere-se a punição administrativa, no entanto o policial também responde criminalmente.