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Fortaleza
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13,4% da população cearense com mais de 25 anos nunca foi à escola, aponta IBGE

O Estado ainda registrou um aumento em relação ao número de concludentes do ensino médio e superior; especialista considera que educação precisa melhorar para segmentos específicos

15:18 | 06/11/2019
Pesquisa do IBGE divulgou números da educação no Brasil
Pesquisa do IBGE divulgou números da educação no Brasil (Foto: MATEUS DANTAS)

Total de 13,4% da população cearense com 25 anos ou mais não possui nenhuma formação educacional, de acordo com dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado ocupa o terceiro lugar do Nordeste em relação ao maior número de pessoas nessa faixa etária que nunca tiveram contato com a escola, atrás apenas do Maranhão e do Piauí.

Esse índice, entretanto, apresentou quedas consecutivas nos últimos dois anos, quando essa estatística era cerca de dois pontos percentuais superior. O Ceará ainda registrou um aumento em relação ao número de pessoas que concluíram o ensino médio (24,2%) e o superior (11,5%).

Para Maria José Barbosa, professora de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC), a educação tem se tornado mais acessível para a população de uma forma geral. Ela pontua, no entanto, que certos segmentos ficam invisibilizados, especialmente os estudantes da periferia e do campo, além daqueles que não estão na faixa etária adequada para a formação e recorrem à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

"Essa é uma população que precisa ser estimulada para ir à escola, a oferta atualmente é mínima. É urgente trazer essas classes para dentro da escola, uma população sem acesso à educação significa mão de obra desqualificada. Deveríamos abrir as escolas no turno da noite e criar um currículo mais flexível e estimulante", ressalta.

A especialista ainda considera que é preciso resgatar as pessoas que não tem oportunidade e passam o dia na rua, em alguns casos. "A educação não deve ser apenas conteudista, mas bem mais ampla: ter uma formação humana, uma preparação para o trabalho. O aluno precisa ser protagonista na formação, muitas vezes ele ainda fica só como ouvinte", lamenta.

Ensino Médio

No ensino médio, o Estado tem quase 90% dos estudantes matriculados na rede pública, maior índice entre todos os níveis de ensino. A disparidade também é verificada nos anos iniciais da educação, quando a esfera privada não ultrapassa um terço do total de estudantes. Essa situação, porém, se inverte quando os estudantes chegam ao nível superior e cerca de 30% conseguem ingressar em instituições públicas.

Maria José aponta que esse cenário se reflete no número crescente de estudantes autônomos no ensino médio, que não dependem financeiramente de terceiros e precisam se sustentar. Ela ainda considera que o crescimento de escolas profissionalizantes na rede pública tem incentivado a migração de estudantes que concluíram o ensino fundamental em uma instituição privada.

De acordo com dados da plataforma Trends, que contabiliza o número de pesquisas realizadas no Google, o Ceará é o estado que mais busca o termo "escola profissionalizante" pelo menos nos últimos cinco anos. No Nordeste, os usuários também possuem interesse significativo pelo tema, ainda que corresponda a menos da metade de pesquisas realizadas pelos cearenses.

Outro fator que também contribui para o crescimento do número de matrículas na rede pública nessa fase da formação escolar, de acordo com a pesquisadora, é a cota social estabelecida para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A medida, criada pela Lei nº 12.711/2012, garante a reserva de 50% das matrículas em todas as universidades e institutos federais a alunos oriundos integralmente do ensino médio público.

O Ceará, assim como outros três estados do Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas), possui plano de carreira salarial para os professores em todos os municípios e quase 80% deles têm esse plano definido em lei. Em outras regiões do Brasil, apenas o Acre e o Distrito Federal também têm essa medida estabelecida em todo o território.

Em fevereiro deste ano, Fortaleza foi a primeira capital brasileira a adotar a medida nacional que fixou o piso salarial dos professores, de acordo com a Lei do Piso. Na reunião, a Prefeitura também anunciou que terá um maior rigor com o pagamento da suplementação de carga horária e dos professores substitutos. Em agosto, a medida também foi aprovada em âmbito estadual.