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Fortaleza
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Morador da cobertura do Edifício Andréa recupera pasta com documentos

O POVO Online foi procurado pela filha do ex-morador do Edifício Andréa para tentar reaver o item encontrado

19:00 | 23/10/2019
Daniele e Clotário Sousa. Daniele achou documentos do Clotário uns dos moradores do Edifício Andréa. Ela fez a entrega da pasta do com os documentos no local que achou a pasta próximo a avenida do aeroporto, em Fortaleza.
Daniele e Clotário Sousa. Daniele achou documentos do Clotário uns dos moradores do Edifício Andréa. Ela fez a entrega da pasta do com os documentos no local que achou a pasta próximo a avenida do aeroporto, em Fortaleza. (Foto: AURELIO ALVES)

O ex-morador do 7º andar do Edifício Andréa, Clotário Souza, de 76 anos, que morava na cobertura do prédio, conseguiu recuperar nesta quarta-feira, 23, uma pasta que continha documentos importantes após descobrir que uma mulher havia encontrado o item entre entulhos nas proximidades do Aeroporto Internacional Pinto Martins, no bairro Dias Macedo.

A filha de Clotário, Cibele Souza, explicou ter recebido informações de que a pasta teria sido encontrada pela recepcionista Daniele Rodrigues e pediu para a reportagem do O POVO Online acompanhá-los até o local para tentar reaver o bem. “Eu fiquei chocada e aborrecida, e um pouco aliviada, de que pelo menos a pasta foi encontrada, porém tive medo em procurar quem achou porque pensei que poderia ser um trote”, relatou Cibele.

A reportagem foi até o endereço onde a pasta estava e, ao contactar Daniele, foi possível promover o encontro entre a recepcionista e o proprietário dos documentos. “Eu fico agradecido por conseguir ver meus documentos novamente, só fico triste porque não eram só esses, mas isso aqui já vale, pra quem perdeu tudo”, contou o aposentado.

Daniele Rodrigues contou que ao vir da academia na manhã da última segunda-feira, 21, caminhava pela avenida Senador Carlos Jereissati, onde se deparou com vários documentos e uma pasta que estavam espalhados entre a vegetação. “Eu pensei que poderia ser algo deixado lá após algum assalto”, conta.

Na ocasião, ela resolveu recolher os documentos e colocá-los de volta na pasta. Ao retornar para casa tentou procurar números de telefones que pudessem levá-la ao dono. Ao identificar os nomes de Clotário e de sua esposa em uma certidão de casamento, ela resolveu procurá-los. Sem sucesso, decidiu então mantê-los em guardados e só depois pensou entregar em uma delegacia próxima.

O Edifício Andréa desabou na terça-feira, 15, de outubro. Ao todo, 9 pessoas morreram e outras 7 foram resgatas com vida. Até agora não se sabe a causa do desabamento. Apesar disso, um inquérito policial foi aberto e o Ministério Público já apura a responsabilidade do crime.

Família cobra esclarecimentos às autoridades

Agora, Clotário e a filha cobram das autoridades esclarecimentos para tentar entender como um objeto que pertence à família poderia ter sido encontrado no bairro Dias Macedo. Segundo Cibele, a Defesa Civil informou aos ex-moradores do Edifício Andréa que os pertences encontrados iriam para um depósito que a Prefeitura de Fortaleza teria disponibilizado.

"Meu pai e eu fomos informados que tudo que seria retirado dos escombros seria levado para um local seguro, para ser catalogado, ou que pudesse identificar à quem pertencia, e hoje acontece isso, tá errado", conta Cibele. 

O POVO Online procurou a Defesa Civil de Fortaleza e aguarda resposta.

Início das buscas por pertences

A família de Clotário Sousa Nogueira tentou reaver os pertences nessa terça, 22, no 4º Distrito Policial, no bairro Pio XII. A procura, porém, não resultou em nenhum achado.

Na ocasião, Clotário lamentou que havia pouca coisa exposta em uma salinha no fundo do distrito policial, mas a esperança surgiu quando soube da localização do teclado musical da esposa, Ana Maria Ramos Nogueira. O objeto, assim como as colchas de crochê feitas por ela, eram coisas que Ana Maria estava com maior expectativa para encontrar.

Clotário, que morava no prédio há 36 anos, explicou que fez uma relação dos objetos que estavam no apartamento e entregou às autoridades. “Quando tiver novas informações de pertences catalogados eles vão me informar e eu voltarei aqui”, disse o homem.

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