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Fortaleza
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Justiça inocenta motorista de aplicativo acusado de crime que não cometeu

Rubem da Mota Duarte, preso durante perseguição policial, precisou usar tornozeleira eletrônica até conseguir provar inocência. Hoje, o homem tenta restabelecer sua rotina. "Foi o pior período da minha vida. Com essa liberdade eu estou podendo ter paz"

11:18 | 03/09/2019
Rubem comemora estar sem pendências com a justiça e planeja investir na sua carreira de músico
Rubem comemora estar sem pendências com a justiça e planeja investir na sua carreira de músico(Foto: Divulgação)

No dia 14 de janeiro de 2018, um dia de domingo, o músico e motorista de aplicativo Rubem da Mota Duarte iniciava aquela que seria a única viagem do dia, no bairro Lagoa Redonda. Ele fazia, pelo menos, 20 corridas por dia que, somadas à renda da vida de músico, o ajudavam em casa.

Sem saber, Rubem acabou pegando três passageiros que somente depois descobriria serem envolvidos com tráfico de drogas. “Quando a Polícia abordou o carro, eu fui encostando no mesmo instante. Os passageiros viram essa movimentação e deram ordem para eu não parar e cada um sacou sua arma. Nessa hora, as pernas começaram a tremer e falei que eles podiam levar o carro, só me deixassem. Eles falaram: 'dirige e não fala nada'”, explica.

O motorista não deu fuga, continuou dirigindo normalmente, ao mesmo tempo que sofria ameaças. “Depois disso, eu não sabia se parava o carro e corria o risco de levar um tiro de fora ou de dentro ”, conta. Durante a troca de tiros, seu carro foi alvejado diversas vezes. Com o pneu furado, a velocidade diminuiu. “Quando saí do carro, eu saí de mãos levantadas e a polícia continuou atirando. Até que nessas trocas de tiros, fui alvejado na perna”, contou Rubem ao O POVO Online.

O homem foi levado para o hospital para que o projétil fosse retirado e, em seguida, foi encaminhado para a delegacia, onde passou cinco dias. “Fui para a cela com ferimento na perna. Era uma cela bem apertada”, relembra. Foi a família de Rubem que entrou em contato com a Defensoria Pública do Estado do Ceará.

A atuação da instituição, através de Delano Benevides, defensor público titular da 5° Defensoria do Núcleo de Assistência aos Presos Provisórios e às Vítimas de Violência de Fortaleza, foi fundamental para que a inocência de Rubem fosse provada. “Na audiência de custódia, o Ministério Público pediu a prisão preventiva. No entanto, na defesa aleguei a primariedade, os efeitos deletérios que o cárcere traz, além do impacto social não só para ele, mas para a sociedade”, explica Benevides. A decisão da juíza determinou que Rubem permanecesse com a tornozeleira eletrônica por seis meses, além de “recolhimento domiciliar das 22h às 6 horas, salvo para exercer atividade laboral lícita”.

Rubem classifica o período como o pior de sua vida, pois se sentia constrangido ao utilizar a tornozeleira - objeto que também o impediu de continuar as atividades rotineiras. Precisou voltar para a casa da família para se restabelecer e cuidar da saúde. “Depois de dois a três meses voltei a trabalhar com o carro. Às vezes apitava durante a corrida, mas eu aumentava o som para que o passageiro não ouvisse. Mesmo estando de tornozeleira eu voltei a cantar. Usava calça jeans para esconder a tornozeleira”, relata o músico.

A notícia do seu impronunciamento, quando a Justiça aponta que não existe indício de autoria do crime, veio de forma inusitada, em julho deste ano. Foi por uma rede social que Rubem soube do resultado. “O meu defensor fez uma surpresa para mim. Ele fez questão de avisar. Eu já estava muito desacreditado”, relata.

“Uma coisa que me prendia demais, até mesmo para trabalhar, era o fato de que eu estava muito perturbado. Eu não sabia o que ia acontecer comigo", desabafa. Hoje, Rubem continua trabalhando como motorista de aplicativo, mas pretende investir na sua carreira de músico, concluir a faculdade e viajar para o Exterior.

Durante a perseguição policial, os três criminosos fugiram. O jovem celebra sua liberdade, mas relembra com pesar os 18 meses que passou sendo acusado por um crime que não cometeu. “Foi o pior período da minha vida, eu não sabia o que ia acontecer. Agora estou me sentindo completamente livre. Não tenho mais pendência nenhuma. Com essa liberdade, eu estou podendo ter paz”, conclui.