PUBLICIDADE
Fortaleza
NOTÍCIA

"Fechar o CCBNB é um ato arbitrário", diz o guitarrista Mimi Rocha

Artistas e produtores culturais se manifestam pedindo a continuidade dos centros culturais Banco do Nordeste, na sede do banco, localizado na avenida Santos Dumont

17:17 | 03/07/2019
Mimi Rocha, músico. Artistas e produtores culturais se manifestam pedindo a continuidade dos centros culturais Banco do Nordeste, na sede do banco localizado na av. Santos Dumont
Mimi Rocha, músico. Artistas e produtores culturais se manifestam pedindo a continuidade dos centros culturais Banco do Nordeste, na sede do banco localizado na av. Santos Dumont(Foto: Tatiana Fortes/ O POVO))

Ato arbitrário. É assim que o guitarrista e produtor musical Mimi Rocha define a suspensão da programação do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), que pegou de surpresa artistas, produtores culturais e público, na última semana. Mimi Rocha é um dos artistas que estavam presentes na manifestação a favor da permanência do equipamento cultural, nesta quarta-feira, 3, na frente da agência do Banco do Nordeste, na Aldeota.

Listen to "#104 - O que será dos centros culturais Banco do Nordeste?" on Spreaker.

A manifestação começou por volta de meio-dia e contou com artistas que tiveram projetos suspensos, além de uma pequena parcela de público e da classe artística. A ideia de levar o ato para uma agência bancária na chamada área nobre da Capital, e não para o Centro da cidade, onde funciona o CCBNB, é uma tentativa de chamar atenção para outros públicos.

“É uma pena, um ato arbitrário fechar o Centro Cultural porque não é um centro só para músico tocar. É um centro de formação também. As pessoas se encontram, os músicos jovens vão lá ver seus ídolos tocar”, diz Mimi Rocha. Ele lembra que começou a se apresentar no equipamento cultural ainda nos anos 90, quando a “cena instrumental” ainda não era forte. “Fiz pelo menos um show por ano lá nos últimos 20 anos”.

O CCBNB funcionou na rua Floriano Peixoto até 2013. Em setembro daquele ano, as atividades foram transferidas para a atual sede, na rua Conde D’Eu, Nº 500. Frequentadora assídua do centro, a aposentada Salete Salomani, 62, não perde a programação do Jazz em Cena, Percursos Urbanos e exposições. Ela diz que foi “surpreendida” com a notícia, e reclama da falta de atenção com público e profissionais da área. “Os artistas têm grande papel. São eles que sensibilizam o ser humano, que nos fazem pensar e ter uma visão crítica de mundo”.

O jornalista e produtor cultural Daltown Moura, coordenador do projeto Jazz em Cena, que reúne público de aproximadamente 300 pessoas por edição, afirma que a manifestação desta quarta é só o começo de um calendário de mobilizações que será decidido ainda nesta quarta-feira. ”O ato surpresa é para ampliar. Viemos para o banco para mostrar que não pode ser só a parte financeira, mas que a política cultural também é importante. Dia a dia de um banco não pode ser dissociado da política cultural”.

A cantora Nayra Costa, no entanto, foi categórica: “Não vamos ficar calados. Além de ser um direito da nossa profissão, há o coletivo. Pensamos no quanto é importante que as pessoas saiam de casa para ver shows, teatro dança”. Ela questiona a falta de apoio da sociedade para a classe artística.

Geração de renda e formação de público

Política cultural é também geração de renda e emprego. Suspender a programação deste mês de julho, por exemplo, sinaliza menos atenção para um mês de férias que traria mais público para o Centro Cultural Banco do Nordeste. “A gente emprega, gera renda pra artista, para produtor, para a tia que vende o lanche na frente do centro”, diz o músico e produtor Caike Falcão. “Grande parte do público é de pessoas humildes. Para muita gente, é a única oportunidade de ter acesso à arte, música, exposição. Não podemos deixar essas pessoas na mão”.

Para o pianista e arranjador cearense Edson Távora Filho, batalhar pela manutenção do equipamento é um dever social pela importância do CCBNB na formação de público e de músicos do Estado. “A gente luta pra continuar essa formação de gente, formação de plateia e da nossa sociedade. Ninguém vai pra frente sem cultura”, pontua. “Fiz muitos shows com a Anna Canário, minha esposa. A gente sempre trabalhou muito lá e teve vezes que dependemos do cachê de lá pra pagar algumas contas. A gente trabalha com isso e muitas vezes depende disso”.

Rubens Rodrigues