PUBLICIDADE
Fortaleza
NOTÍCIA

Moradores reclamam de "cratera" aberta para reforma de drenagem na Itaoca

Equipes da Seinf foram ao local para fazer o bombeamento e diminuir o nível da água das chuvas no interior do canal

10:35 | 14/06/2019
Grande Buraco de 50 metros, entre as ruas Equador e Bulgari, no bairro Itaóca
Grande Buraco de 50 metros, entre as ruas Equador e Bulgari, no bairro Itaóca(Foto: Mauri Melo/O POVO)

É delicada a situação dos moradores da rua Equador, no bairro Itaoca, em Fortaleza. Há cerca de dois meses, grande parte da galeria de drenagem da via foi aberta para reforma. Em maio último, outra parte cedeu. A extensão é de um quarteirão. Hoje, os moradores vivem com o mal cheiro e reclamam da grande quantidade de ratos que entram nas residências. Há quem denuncie também o perigo para as crianças que ali moram, além da insegurança que se instalou devido à falta de movimento.

O POVO Online ouviu moradores e comerciantes da área. O discurso que reverbera é da falta de andamento da obra. Um dos moradores, que pediu para não ser identificado, conta que a rua já tinha uma pequena cratera antes mesmo das obras começarem e que o asfalto estava "fofo, afundando". Conta também sobre uma "fissura" que era visível no asfalto. A população começou a reparar no problema após as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

A comerciante Rosa Brasil, de 51 anos, tem uma loja de pré-moldados na rua há duas décadas. Ela se indigna com o fato de a galeria ter sido aberta justo no meio da quadra chuvosa, um impeditivo para a obra. "Essa reforma foi mal projetada. Eles deviam ter feito em partes, deixar uma parte do fluxo (de trânsito)", afirma. "Já passa de dois meses que quebraram esse canal e ninguém vê um engenheiro da Prefeitura aqui".

Ela afirma que, depois que a via foi interditada, não houve presença de representantes da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) para orientar desvios. Nem sinalização há na entrada das ruas. Com o impedimento da passagem dos veículos, motos começaram a trafegar pelas calçadas, representando perigo para pedestres.

"Estamos sofrendo porque fechou o acesso. A farmácia aqui tá no prejuízo, eu tô no prejuízo. Não tem venda. É como se não tivesse comércio porque aqui não vem ninguém", desabafa. "Todo mundo ficou prejudicado. Infelizmente, temos que aguardar".

A comerciante Maria de Lima, 46, moradora da rua Bogari, uma das vias de acesso à rua Equador, diz que desde que houve interdição, a sensação de insegurança cresceu. "Agora vive tendo assalto aqui porque não tem mais movimentação. Fora que vive faltando água e a gente precisa reclamar pra Cagece", diz. Ela também reclama na queda das vendas na mercearia que tem em casa.

Na tarde desta quinta-feira, 13, a reportagem do O POVO Online identificou uma equipe de cerca de cinco homens uniformizados que estariam trabalhando para escoar a água da chuva que entrou na galeria. Outro homem, que não estava uniformizado, se identificou apenas como Ageu e disse que estava acompanhando a ação. "Não tem como fazer nada enquanto a chuva não parar. É por isso que a gente ainda não 'boliu'", disse.

Questionado se estava trabalhando para a Prefeitura, o homem disse que trabalhava para a empresa responsável pela obra e não deu mais nenhuma informação. "É melhor você procurar a Prefeitura", disse, sem citar o nome da empresa. Um dos homens uniformizados chegou a abordar a equipe, exaltado, gritando que o repórter não deveria fazer perguntas porque "só iria piorar a situação".

De acordo com a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf), as equipes estão no local desde quarta-feira, 12, fazendo o bombeamento para diminuir o nível da água das chuvas no interior do canal. Em nota, a pasta informa que as obras de reforma da galeria de drenagem da rua Equador estão em execução e possuem finalização prevista para agosto deste ano. "A estimativa é de que as obras sejam intensificadas nas próximas semanas, sem a ocorrência de chuvas", finaliza.

Rubens Rodrigues