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Fortaleza
NOTÍCIA

Desabrigadas após cheia de lagoa, famílias de comunidade em Fortaleza pedem ajuda

Defesa Civil diz que cadastrou 77 famílias em situação de risco. Moradores reclamam da demora na resposta da Prefeitura. Doenças são outra consequência da cheia da lagoa

14:02 | 25/04/2019
Lagoa passa maior parte do ano seca, o que permitiu a construção de casas no perímetro
Lagoa passa maior parte do ano seca, o que permitiu a construção de casas no perímetro(Foto: Mauri Melo/Mauri Melo)

Com as fortes chuvas destes primeiros meses de 2019, a Lagoa do Gengibre, no bairro Manoel Dias Branco, voltou a ficar cheia. Quando seco, o lugar é usado como campo de futebol e um dos únicos espaços de lazer da área, tendo também construções irregulares no entorno. A água acumulada invadiu casas e barracos no local e obrigou diversas famílias a saírem das residências. Mesmo após visita da Defesa Civil do Município e cadastramento dos afetados, não houve resposta efetiva ao problema.

“Era anunciado acontecer isso. A Prefeitura sabia”, define Manoel Garcia, conhecido também como Gereba, líder comunitário da Comunidade do Gengibre. Ele reitera a necessidade de que a situação seja resolvida de forma imediata e relata que ainda há pessoas vivendo nas casas do entorno da lagoa, apesar de a água chegar a cobrir a cintura de um adulto.

Além do desabrigamento, Manoel explica que muitos moradores ficam doentes com a água suja, principalmente crianças que tomam banho na lagoa por diversão, já que o local ainda é o único espaço de lazer da comunidade.

Deusimar Saraiva, 51 anos, está morando em um barraco improvisado com a esposa e os cinco filhos
Deusimar Saraiva, 51 anos, está morando em um barraco improvisado com a esposa e os cinco filhos (Foto: Mauri Melo)

No primeiro dia em que precisaram sair de casa, nenhuma das sete pessoas da família de Deusimar Saraiva, 51, conseguiu dormir. Os dois adultos e as cinco crianças estão morando em um barraco improvisado com lonas, pedaços de madeira e papelão na calçada de uma rua próxima a lagoa há mais de uma semana. O catador de material reciclável afirma que não tem como pagar aluguel, por isso a decisão extrema de ficar na rua. Antes de deixar a residência, a família ainda passou dois meses com a água da lagoa batendo na porta. “Todos os invernos a lagoa enche, mas não precisava sair da casa”, lembra. Enquanto resolviam a situação, as crianças passaram uma semana sem frequentar a escola.

Casa de Marilene dos Santos está coberta de água e lixo, impossibilitando a entrada de sua família.
Casa de Marilene dos Santos está coberta de água e lixo, impossibilitando a entrada de sua família. (Foto: Mauri Melo)

Como Deusimar, a também catadora Marilene dos Santos Pereira, 47, precisou sair da casa que tem na área. Há três meses não tem acesso aos pertences que não conseguiu retirar a tempo da residência. Os outros materiais, principalmente de trabalho, estão empilhados na beira da lagoa. A neta dela ficou doente após ter contato direto com a água, e Marilene contraiu infecções na pele dos pés.

Depois de não conseguir mais entrar na casa alagada, Antônio Ferreira de Oliveira, 58, teve de deixar o local e agora mora de favor na casa de outra pessoa da comunidade. Da casa em que morava, só é visível o telhado.

De acordo com a Defesa Civil de Fortaleza, 77 famílias da área foram cadastradas no começo de abril para receber “material assistencial”, que consiste em cestas básicas, colchonetes e mantas. Em parceria com a Secretaria Regional II, o órgão municipal afirmou que fez uma limpeza da água e do entorno da lagoa. No entanto, a moradora Sara Alexandre dos Reis, 24, disse que o local já havia sido limpo pelos residentes antes de a Defesa Civil ir até lá. “Um ofício também foi enviado pela Defesa Civil para a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional para inclusão destas famílias no cadastro das políticas habitacionais da Cidade”, afirmou o órgão por meio de nota.

Alexia Vieira/ESPECIAL PARA O POVO