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Fortaleza
CORRUPÇÃO

Suspeita de extorsão e de favorecer facção, inspetora de delegacia no Conjunto Ceará é afastada

De acordo com as investigações, a inspetora recebia para que a Polícia não interferisse nas atividades da facção criminosa

13:38 | 14/03/2019

Lotada no 12º Distrito Policial, no Conjunto Ceará, uma inspetora de Polícia foi afastada das funções na tarde dessa quarta-feira, 13, após investigação do Grupo de Atuação de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Ceará. Ela é suspeita de práticas de extorsão. Na época dos primeiros pagamentos, em 2015, a policial era lotada na área do 32º DP, no bairro Bom Jardim.

Segundo a investigação do Gaeco, a inspetora exigia dinheiro de um líder local do PCC e seus traficantes subordinados para que não houvesse nenhum tipo de interferência dos policiais nas atividades da facção. 

Os agentes policiais sob o comando dela são investigados. De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Rinaldo Janja, não há certeza se eles também recebiam dinheiro da facção.

“Existe grupo forte do PCC no Bom Jardim. Ao investigarmos o grupo, vimos que a inspetora comandava grupo de policiais que ameaçava e exigia dinheiro para que não levasse os criminosos presos. Com o dinheiro em mãos e na certeza da impunidade, a inspetora influenciava a sua equipe de policiais a permitir que os membros da organização criminosa trabalhassem desembaraçadamente, distante dos olhos da lei”, explica Rinaldo.

O 12º DP também foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Delegacia de Assuntos Internos da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (DAI/CGD).

A investigação ainda segue em sigilo. Contudo, o MPCE acredita que advogados e policial militar participem do esquema de extorsão. Eles já são denunciados por participação na organização criminosa.

"A corrupção de um agente do estado é um dos crimes mais graves para mim, no Código Penal. Não dá para fazer segurança pública com policial corrupto. É um estrago", completa Rinaldo.

O mandado de busca e apreensão e a medida cautelar de afastamento das funções foram deferidos pelo Juízo da 16ª Vara Criminal, que também já recebeu a denúncia ofertada contra a policial pelo crime de extorsão (art. 316 do Código Penal), que consiste em constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer algo, com pena de reclusão de quatro a dez anos, e multa.

Lucas Braga